Uma visita rotineira a um brechó terminou em uma descoberta histórica nos Estados Unidos. Michael Sparks pagou apenas US$ 2,48, cerca de R$ 13 na conversão atual, por um documento amarelado e enrolado encontrado em uma loja de Nashville, no Tennessee.
O que parecia ser apenas uma reprodução antiga da Declaração de Independência dos Estados Unidos era, na verdade, uma das raras cópias oficiais produzidas em 1823. No ano seguinte, a peça seria arrematada em leilão por US$ 477.650.
Pesquisa começou em casa
Técnico de equipamentos musicais, Sparks tinha o costume de visitar lojas de segunda mão em busca de objetos históricos curiosos. Naquele dia, passou pela Music City Thrift Store e comprou também um candelabro e um conjunto de saleiro e pimenteiro.
O preço baixo não foi uma avaliação equivocada específica. Segundo Kay Boner, gerente da loja, US$ 2,48 era simplesmente o valor padrão cobrado naquele período por objetos daquele tipo.
Sparks, porém, percebeu que o papel poderia ser mais antigo do que as versões modernas normalmente vendidas como lembrancinhas. Levou o documento para casa e passou meses pesquisando sua procedência antes de confirmar aquilo que havia encontrado.
A peça era uma autêntica “Stone print”, nome dado às reproduções produzidas a partir do trabalho do gravador William J. Stone. A origem dessas cópias remonta à preocupação do governo americano com a deterioração do documento original de 1776.

Apenas 200 exemplares
Por volta de 1820, o pergaminho original da Declaração já apresentava desgaste provocado pelo manuseio frequente e pela exposição à luz. John Quincy Adams, então secretário de Estado dos Estados Unidos, encarregou Stone de produzir uma reprodução exata.
Foram necessários três anos para concluir a gravação em uma placa de cobre. Em 1823, o Congresso americano determinou a impressão de 200 exemplares oficiais em pergaminho, destinados a signatários ainda vivos, autoridades e instituições públicas.
Antes da descoberta feita por Sparks, historiadores sabiam a localização de somente 35 das 200 cópias, tornando esse o 36° exemplar conhecido e altamente conservado.
Documento ficou em garagem
Por pouco, a peça não permaneceu desconhecida. Apenas dois dias antes de aparecer no brechó, o documento estava pendurado na garagem de outro morador de Nashville.
Stan Caffy havia comprado a reprodução cerca de dez anos antes em uma venda de garagem, pagando US$ 10. Durante uma década, manteve o documento preso à parede até que sua mulher pediu que ele retirasse da garagem os objetos inúteis.
Caffy então doou o papel, junto com outros pertences, para a Music City Thrift Store. Depois de descobrir quanto o documento realmente valia, afirmou que estava feliz por Sparks e satisfeito por alguém que sabia o valor da peça ter conseguido identificá-la.








