Correios estudam cortar até 15 mil funcionários em meio a crise bilionária

Tribunal analisa a legalidade do aval dado pelo Tesouro Nacional; resultado pode travar ou salvar o plano de recuperação da estatal

Queda nas encomendas internacionais e avanço da concorrência privada pressionam contas dos Correios (Foto: Ilustração, IA)

Os Correios enfrentam uma das fases mais delicadas de sua situação financeira. Nesta quarta-feira (27), o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa a legalidade do aval concedido pelo Tesouro Nacional a um empréstimo de R$ 12 bilhões contratado pela estatal.

A decisão é considerada estratégica porque pode destravar, ou comprometer, o plano de recuperação financeira da empresa e uma nova tentativa de captação bilionária no mercado.

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Rombo coloca Correios em corrida contra os gastos

Nos bastidores, o julgamento é tratado como decisivo para a sobrevivência financeira da companhia nos próximos anos. O plano atual prevê não apenas renegociação de dívidas e venda de ativos, mas também uma ampla redução de custos operacionais, incluindo programas de desligamento voluntário que podem atingir até 15 mil funcionários entre 2026 e 2027.

A deterioração das contas acelerou a pressão sobre a estatal. Depois de registrar lucro de R$ 3 bilhões em 2021, os Correios passaram a acumular prejuízos sucessivos.

Foram perdas de R$ 767 milhões em 2022, R$ 633 milhões em 2023 e R$ 2,6 bilhões em 2024. Documentos encaminhados ao TCU apontam que o prejuízo acumulado em 2025 já teria alcançado R$ 8,5 bilhões, sendo R$ 4,4 bilhões apenas no primeiro semestre.

Parte desse cenário é atribuída à queda nas encomendas internacionais após a tributação de compras de até US$ 50 dentro do programa Remessa Conforme.

Segundo dados anexados ao processo, o volume de entregas internacionais caiu cerca de 60%, afetando justamente uma das áreas mais rentáveis da estatal.

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Concorrência privada aperta ainda mais a situação 

Ao mesmo tempo, os Correios enfrentamaumento de despesas operacionais e passivos históricos. A empresa reconheceu uma dívida de R$ 7,6 bilhões relacionada ao Postalis, fundo de pensão dos funcionários, além da elevação de custos trabalhistas e benefícios internos.

A pressão competitiva também aumentou nos últimos anos. Empresas privadas como Mercado Livre, Amazon, Loggi e Jadlog ampliaram suas estruturas próprias de distribuição e ganharam espaço no mercado de entregas.

Enquanto isso, os Correios seguem obrigados a manter atendimento emregiões consideradas deficitárias e submetidos às regras de contratação pública. Relatórios internos indicam que a estatal mantém cerca de mil agências com operação deficitária para garantir cobertura postal nacional.

TCU tem nas mãos decisão sobre empréstimo

O empréstimo analisado pelo TCU integra um plano mais amplo originalmente desenhado para captar até R$ 20 bilhões com garantia da União. O Tesouro Nacional autorizou o aval limitado a R$ 12 bilhões, alegando restrições fiscais e metas do resultado primário.

A operação financeira envolve instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander, com juros equivalentes a 115% do CDI, prazo de 15 anos e carência de três anos.

A relatoria está sob responsabilidade do ministro Benjamin Zymler.

O Ministério Público junto ao tribunal questiona se a estatal possui capacidade real de pagamento e alerta para o risco de o Tesouro Nacional precisar cobrir parcelas da dívida futuramente caso a empresa não consiga gerar caixa suficiente.

Internamente, o objetivo dos Correios é tentar recuperar o equilíbrio financeiro até o fim de 2026 e voltar a registrar lucro em 2027. Além dos cortes de pessoal, o plano inclui fechamento de agências deficitárias, venda de imóveis e revisão da estrutura operacional da estatal.