Currículo feito com IA? Veja como usar e por que recrutadores estão atentos à prática

Segundo o estudo Talent Trends 2026, da consultoria Michael Page, 73% dos candidatos brasileiros usam IA para adaptar o currículo

Levantamento ouviu 60 mil profissionais em 36 países, incluindo o Brasil/Depositphotos

O uso de inteligência artificial na elaboração de currículos já faz parte da rotina de candidatos e recrutadores no Brasil.

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Segundo o estudo Talent Trends 2026, da consultoria Michael Page, 73% dos candidatos brasileiros usam IA para adaptar o currículo às vagas que pretendem disputar. Entre os gestores de contratação, 55% afirmam utilizar ferramentas de IA em etapas do processo seletivo.

O levantamento ouviu 60 mil profissionais em 36 países, incluindo o Brasil. De acordo com os dados, 71% dos brasileiros também utilizam inteligência artificial no trabalho, acima da média global de 64%.

Currículos semelhantes

A popularização da tecnologia também trouxe uma preocupação para os processos seletivos: a dificuldade de diferenciar os candidatos quando os documentos apresentam estruturas e descrições semelhantes. 39% dos gestores de contratação brasileiros disseram não ter certeza se os currículos recebidos foram escritos, adaptados ou totalmente gerados por IA.

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Outro levantamento, da consultoria Robert Half, apontou que 67% dos gestores de contratação percebem impactos negativos em currículos produzidos por inteligência artificial. Entre os problemas identificados estão a semelhança entre candidaturas e a apresentação de experiências de forma exagerada ou incompatível com a trajetória profissional.

Para Lucas Toledo, diretor executivo da Michael Page Brasil, a padronização pode dificultar a identificação dos candidatos. “Cada vez mais os currículos ficam parecidos. Isso cria uma dificuldade para o candidato se diferenciar e também para os recrutadores identificarem quem realmente tem um perfil mais aderente à vaga”, afirmou.

Experiência e resultados

Outro levantamento citado no material, da plataforma InterviewPal e divulgado pela Forbes Brasil, indica que recrutadores gastam, em média, 11,2 segundos na análise inicial de um currículo. A pesquisa também aponta que resultados mensuráveis e informações específicas sobre a experiência profissional estão entre os elementos observados nessa etapa.

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Nesse cenário, descrições genéricas das atividades podem oferecer menos informações sobre a trajetória do candidato. Em vez de apenas informar que era responsável por determinada função, por exemplo, o profissional pode apresentar resultados alcançados, metas atingidas ou projetos realizados, desde que os dados correspondam à sua experiência.

A utilização da IA, portanto, pode auxiliar na organização e revisão do currículo, mas a precisão das informações depende dos dados fornecidos pelo próprio candidato. A ferramenta pode estruturar o conteúdo, mas experiências, competências e resultados precisam corresponder à trajetória profissional apresentada.

Segundo a Michael Page, 57% dos gestores brasileiros apontam a escassez de habilidades específicas como o principal desafio para contratar, diante de 39% na média global. Entre as competências mais buscadas estão comunicação, adaptabilidade e habilidades interpessoais.

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Mentir no currículo pode dar demissão?

Inventar experiências profissionais, aumentar o nível de conhecimento em um idioma ou apresentar um diploma que nunca foi obtido pode parecer uma forma de aumentar as chances em um processo seletivo. No entanto, mentir no currículo pode levar à eliminação da candidatura, demissão e até a consequências na esfera criminal.

Segundo o Vagas.com, o risco depende do tipo de informação falsificada e da forma como ela é utilizada. Uma inconsistência no currículo não significa automaticamente que o candidato cometeu um crime, mas documentos falsos ou informações inseridas com determinadas finalidades podem ter implicações legais.

O que é considerado mentira no currículo?

A mentira no currículo ocorre quando o candidato apresenta como verdadeira uma informação que não corresponde à sua trajetória profissional ou acadêmica. Entre os exemplos estão:

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  • informar uma formação que não possui;
  • apresentar um diploma ou certificado falso;
  • aumentar o nível de conhecimento em um idioma;
  • inventar experiências profissionais;
  • informar um cargo que nunca ocupou;
  • alterar datas de empregos ou cursos;
  • atribuir a si mesmo competências que não possui;
  • omitir ou modificar informações relevantes para aparentar uma qualificação maior.

Também é preciso ter cuidado com exageros. Descrever uma experiência real de forma mais favorável é diferente de inventar uma atividade ou atribuir a si resultados que não foram alcançados.