A queda na cotação do dólar ao longo dos primeiros seis meses do ano alterou a rotina de reservas de viagens e compras internacionais no país. O valor total gasto por brasileiros em moeda estrangeira alcançou a marca mais alta para o período desde o início das medições oficiais, impulsionado pelo custo menor de bilhetes aéreos, hotéis e moedas em casas de câmbio da região metropolitana de São Paulo.
Segundo o relatório de Estatísticas do Setor Externo do Banco Central, a movimentação de recursos apresentou os seguintes números entre janeiro e junho:
- Gastos no exterior: US$ 12,61 bilhões movimentados por brasileiros.
- Variação anual: alta de 22,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.
- Histórico: maior volume registrado na série de transações correntes iniciada em 1995.
Trajetória do câmbio e entrada de capital
No primeiro semestre, a moeda norte-americana acumulou recuo expressivo de quase 7% frente ao real, sendo negociada perto da casa dos R$ 5,10 no encerramento de junho.
A autoridade monetária atribui o fortalecimento do real à entrada de dólares gerada pelas exportações brasileiras de petróleo em meio a incertezas geopolíticas no Oriente Médio, o que aumentou a oferta de divisas no mercado financeiro paulista.
Impacto direto no turismo e câmbio em SP
A queda do câmbio gerou reflexos diretos no comportamento de consumo em São Paulo, com aumento de demanda em agências de turismo e em balcões de negociação de câmbio na capital.
Esse fluxo mais intenso refletiu na movimentação dos principais hubs aéreos do Estado, como o Aeroporto Internacional de Guarulhos e o Aeroporto de Viracopos, que centralizam grande parte das conexões para destinos na América do Sul, América do Norte e Europa.
Mês de junho e o saldo da conta de viagens
No último mês da metade do ano, a conta de viagens internacionais do Balanço de Pagamentos registrou os seguintes dados:
- Despesas de brasileiros fora do país: US$ 2,2 bilhões.
- Despesas de estrangeiros no Brasil: US$ 800 milhões.
- Déficit da conta no mês: US$ 1,4 bilhão.
Chegada de visitantes do exterior
Paralelamente ao crescimento das despesas no exterior, o fluxo de turistas internacionais no Brasil também apresentou expansão no primeiro semestre. Levantamentos da Embratur indicam que o desembarque aéreo de passageiros estrangeiros cresceu, impulsionado pela ampliação de rotas e frequências operadas por companhias aéreas internacionais nos aeroportos do país.
