Inflação desacelera para 0,16% em junho, fica abaixo do esperado e alivia preços dos alimentos; veja o que mudou

Índice oficial avançou menos do que o mercado financeiro esperava, impulsionado pela queda nos preços de alimentos e bebidas

Queda nos preços dos alimentos faz inflação recuar em junho /Marjan Blan/Unsplash

A inflação oficial do Brasil perdeu força em junho e ficou abaixo das expectativas do mercado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,16% no mês, após alta de 0,58% em maio, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10/7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Continua após a publicidade

O resultado surpreendeu economistas. A mediana das projeções do mercado apontava inflação de 0,31% em junho, enquanto as estimativas variavam entre 0,26% e 0,39%.

Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 4,64%, abaixo dos 4,72% registrados até maio, mas ainda acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, que é de 4,5%.

Alimentos ajudaram a reduzir a inflação

Segundo o IBGE, o principal fator para a desaceleração foi o grupo alimentação e bebidas, que registrou queda de 0,24% em junho, após alta de 1,33% no mês anterior.

Continua após a publicidade

A redução dos preços dos alimentos ajudou a conter o avanço do índice geral, depois de meses em que o grupo pressionou a inflação devido ao aumento dos custos de produção e à menor oferta de alguns produtos.

Inflação segue acima da meta

Apesar da desaceleração, o IPCA permanece acima do limite da meta estabelecida pelo Banco Central pelo segundo mês consecutivo.

O sistema de metas considera o objetivo descumprido quando a inflação acumulada em 12 meses permanece fora do intervalo de tolerância, entre 1,5% e 4,5%, por seis divulgações seguidas. O centro da meta é de 3%.

Continua após a publicidade

Mercado ainda prevê inflação acima do objetivo

Mesmo com o resultado de junho, as projeções do mercado financeiro seguem indicando inflação acima da meta ao longo de 2026.

De acordo com o boletim Focus mais recente do Banco Central, a expectativa é de que o IPCA encerre o ano acumulando 5,3% em 12 meses.

Entre os fatores que continuam no radar dos economistas estão o comportamento dos combustíveis, influenciado pelas tensões internacionais, e possíveis impactos climáticos sobre a produção agrícola, que podem voltar a pressionar os preços dos alimentos no segundo semestre.