Mulheres ocupam mais vagas, mas ganham 21% menos; veja novos dados

Ocupação feminina cresce 11% com impulso de mulheres negras, mas diferença salarial estagna em 21%

Apesar da alta de 11% na ocupação feminina, disparidade salarial persiste em 21,3%.

Apesar da alta de 11% na ocupação feminina, disparidade salarial persiste em 21,3%. | Ilustração/IA/Gazeta de S.Paulo

O 5º Relatório de Transparência Salarial revela que a ocupação feminina saltou 11%, consolidando a presença das mulheres no mercado. Entretanto, o avanço quantitativo contrasta com a persistente disparidade de renda: o “teto de vidro” mantém a diferença salarial entre gêneros em 21,3%

Inclusão e diversidade: o avanço das mulheres negras e minorias 

O avanço na empregabilidade feminina foi impulsionado pelas mulheres negras, que registraram um salto de 29% na ocupação formal e elevaram o contingente para 4,2 milhões de trabalhadoras, um incremento de um milhão de profissionais no mercado.

No entanto, é importante notar que o 5º Relatório de Transparência Salarial não corrobora os dados frequentemente citados sobre o aumento na contratação de mulheres indígenas nem de vítimas de violência, carecendo de confirmação oficial para tais estatísticas. 

Setores em destaque 

A absorção da mão de obra feminina concentrou-se, primordialmente, no setor de serviços. Os segmentos com maior volume de contratação foram: Serviços de Alimentação: 17,8%, Vigilância e Segurança: 16,2%, Manutenção de Equipamentos: 13,6%, Serviços Prediais e Paisagismo: 13,1%. 

O efeito da Lei de igualdade salarial 

Impulsionada pela Lei nº 14.611/2023, a cultura corporativa expandiu benefícios além do salário: o uso de jornadas flexíveis cresceu para 53,9% e o auxílio-creche para 38,4%.

O relatório destaca ainda o avanço em licenças estendidas (29,9%), planos de carreira (66,8%) e metas de produção estruturadas, agora presentes em 75,7% das empresas. 

Contrastes regionais na remuneração por gênero 

O relatório revela que o Norte e o Nordeste lideram o equilíbrio remuneratório no país, com Acre (91,9%) e Piauí (92,1%) apresentando a menor desigualdade, ao lado do Distrito Federal (91,2%).

No extremo oposto, o cenário mais crítico concentra-se no Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%), estados onde as mulheres recebem pouco mais de 70% do rendimento masculino.