O peso da saúde: planos e remédios sugam o salário do brasileiro

Entenda como a alta nas despesas trava o consumo das famílias; projeções estimam R$ 509 bilhões em 2025

Custo com saúde pesa cada vez mais no bolso das famílias brasileiras

Custo com saúde pesa cada vez mais no bolso das famílias brasileiras | Criado por IA/Gazeta de S. Paulo

O orçamento das famílias brasileiras sofre uma pressão crescente com despesas de saúde. Projeções apontam que os gastos com a rede privada alcançaram cerca de R$ 451 bilhões em 2024, sendo R$ 236,4 bilhões apenas com planos e tratamentos. Entre 2024/2025, a estimativa agregada das famílias e entidades sem fins lucrativos chega a R$ 509 bilhões.

Esse cenário é reflexo de uma dependência estrutural. No Brasil, o setor privado responde por 55% de toda a despesa em saúde, um contraste gritante com a média da OCDE, onde o gasto público absorve 76% do total e apenas 24% são privados. Essa inversão drena o poder de compra nacional.

A expansão dos gastos privados

O crescimento médio do setor privado gira entre 7% e 10% ao ano. Em 2024, além dos bilhões investidos em planos, foram destinados R$214,5 bilhões à compra de medicamentos. Esse volume de capital, antes disponível para o varejo e consumo, é absorvido pela necessidade de garantir atendimento médico.

O impacto é imediato na economia. Estima-se que, anualmente, cerca de R$ 2.000 sejam drenados por habitante para gastos privados com saúde. Essa realidade comprime a recuperação do varejo e limita a circulação de renda que impulsionaria outros setores produtivos do país.

O que encarece os planos de saúde

O aumento dos custos dos planos de saúde tem múltiplas causas. Fatores como o envelhecimento populacional e a maior incidência de doenças crônicas elevam a demanda por tratamentos complexos. Somam-se a isso a judicialização excessiva e o uso de tecnologias de alto custo, frequentemente importadas e dolarizadas.

Além disso, a chamada “inflação médica” avançou entre 12% e 21% em 2024/2025, superando o IPCA. Os reajustes autorizados pela ANS acumularam uma alta de 327% entre 2006 e 2024, quase o dobro da inflação geral, impulsionados pela ineficiência operacional e pela expansão obrigatória do rol de coberturas.

Impacto direto nas finanças

Para o cidadão, o comprometimento da renda é severo. Famílias de padrão médio destinam de 4% a 5% da renda mensal para manter planos de saúde, o que força a redução de gastos com alimentação e educação em até 10%. A inadimplência cresce na mesma proporção em que o acesso é mantido.

A situação é mais crítica entre os idosos e pacientes crônicos, que chegam a comprometer 10% de seus rendimentos com saúde. Esse grupo de idosos e pacientes crônicos já consome 65% dos recursos disponíveis, forçando muitos a migrarem para o SUS ou cortarem itens de subsistência básica para pagar convênios.

O orçamento público e a economia

Estudos da Fiocruz e do IEPS demonstram que cada R$1,00 aplicado pelo Estado no SUS gera um retorno de R$1,61 no PIB e R$1,23 em renda familiar extra, reduzindo custos diretos para o cidadão e elevando a produtividade laboral.

O orçamento do SUS para 2025 foi de R$233,3 bilhões, dos quais 90% são destinados a despesas correntes, limitando o espaço para investimentos estratégicos. Para 2026, as projeções orçamentárias giram entre R$254 bilhões e R$271 bilhões para tentar acomodar o aumento da demanda.

O grande desafio fiscal até 2030 será lidar com uma pressão de R$9,3 bilhões ao ano em novos gastos. O equilíbrio entre a ampliação do atendimento público e a estabilidade das contas nacionais será o divisor de águas para evitar que o custo da saúde continue corroendo a economia brasileira.