Quarto aeroporto mais movimentado do Brasil será leiloado em pacote com 10 terminais

Empresa também terá de administrar terminais na Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná

Entre os grupos avaliados como potenciais participantes estão Zurich Airport e a Corporación América/Divulgação

O Aeroporto de Brasília será leiloado em 17 de dezembro junto com outros dez terminais regionais do país. O modelo de concessão prevê que o grupo vencedor assuma tanto a operação do terminal da capital federal, considerado um dos principais hubs aéreos do Brasil, quanto aeroportos com menor movimentação e operações deficitárias.

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O formato foi definido pelo Ministério dos Portos e Aeroportos como um “filé com osso”. A expressão foi usada pelo ministro Tomé França para explicar que, para ficar com Brasília, a empresa também terá de administrar terminais na Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.

A concessão já desperta o interesse de empresas do setor. Entre os grupos avaliados como potenciais participantes estão a Zurich Airport, que administra aeroportos como os de Florianópolis, Macaé, Vitória e Natal, e a Corporación América, atual concessionária de Brasília.

Quem pode disputar o Aeroporto de Brasília

A Zurich Airport já participou de uma disputa com a espanhola Aena pelo Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, em março. Agora, o grupo aparece entre os possíveis interessados na concessão de Brasília.

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A Corporación América, por sua vez, administra 52 terminais em seis países e opera o aeroporto da capital por meio da Inframerica, uma joint venture com a Infraero. A atual concessionária poderá participar novamente da disputa.

Outro grupo que pode entrar no leilão é a ASUR, que concluiu a compra da plataforma de aeroportos da Motiva por R$ 12 bilhões. A operação envolveu participações em 20 terminais, sendo 17 no Brasil. Após a aquisição, o executivo Adolfo Castro afirmou que o país ocupa posição central na estratégia de crescimento da companhia.

O ex-CEO da Embratel e ex-vice-presidente da Telmex, Jose Formoso, também foi contratado para comandar a operação brasileira da ASUR.

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A Aena, que opera 17 aeroportos no Brasil e se prepara para assumir o Galeão, também integra o mercado nacional, mas não aparece entre os grupos apontados pelas fontes como potenciais concorrentes de Brasília.

O que está incluído no pacote

Além do Aeroporto de Brasília, o pacote reúne os terminais de Alto Paraíso de Goiás (GO), Barreiras (BA), Bonito (MS), Cáceres (MT), Dourados (MS), Juína (MT), Ponta Grossa (PR), São Miguel do Araguaia (GO), Tangará da Serra (MT) e Três Lagoas (MS).

Não haverá cobrança de outorga fixa. O vencedor será definido pela maior contribuição variável oferecida ao governo sobre a receita bruta, com percentual mínimo de 5,9%.

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O grupo vencedor também deverá pagar R$ 628,7 milhões à Infraero e assumir investimentos de R$ 1,2 bilhão no Aeroporto de Brasília e outros R$ 857,8 milhões nos terminais regionais.

Entre as obras previstas estão um novo terminal internacional em Brasília, um edifício-garagem e uma nova via de acesso.

Brasília é o único aeroporto brasileiro com duas pistas capazes de operar simultaneamente. Até julho, o terminal havia recebido mais de 9,7 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais, alta de 8% em relação ao mesmo período de 2025.

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Apesar da atratividade do aeroporto da capital, o pacote também apresenta riscos. Segundo Ana Cândida, sócia de Infraestrutura e Regulação do BMA Advogados, os principais pontos são a obrigação de operar terminais com baixa demanda e o prazo do contrato, que vai até julho de 2037.

Entre os terminais regionais, Bonito é citado como um importante destino de ecoturismo, enquanto Dourados e Três Lagoas podem ter relevância para os setores de agronegócio e celulose. Já São Miguel do Araguaia, Alto Paraíso de Goiás, Juína, Cáceres e Tangará da Serra apresentam demanda considerada baixa pela especialista.

Os interessados no leilão deverão apresentar as propostas até 10 de dezembro. A disputa está marcada para 17 de dezembro.