Mercado sem patrão tem clientes como donos e funcionários ao mesmo tempo

Para comprar na cooperativa é necessário adquirir cota e cumprir horas de trabalho

Local adota modelo pioneiro no Brasil de cooperativismo participativo, inspirado em modelos estrangeiros

Local adota modelo pioneiro no Brasil de cooperativismo participativo, inspirado em modelos estrangeiros | Freepik/Reprodução

Chegou a São Paulo, nesta terça-feira (06/01), o primeiro mercado cooperativo sem patrão da cidade. A Gomo Coop, localizada no centro da capital, funciona em um modelo pioneiro de cooperativa participativa de consumo.

No estabelecimento, os próprios clientes são também donos e funcionários, de maneira igualitária.

Para comprar no local, é necessário adquirir uma cota de R$ 100 e cumprir três horas de trabalho nas atividades operacionais ou administrativas presentes no mercado.

Cada um dos participantes desse modelo pioneiro no país tem direito a um voto nas decisões, independentemente da participação financeira. Além disso, o projeto busca reduzir custos operacionais e oferecer produtos orgânicos, agroecológicos e de pequenos produtores.

Ideais 

O mercado se baseia nos princípios clássicos do cooperativismo: adesão voluntária, gestão democrática, ausência de lucro individual e retorno coletivo. Quem deixa a cooperativa pode recuperar o valor investido na cota, conforme previsto no estatuto

Inspiração e início

Mesmo com o pioneirismo, a ideia do estabelecimento surgiu inspirada em modelos internacionais já consolidados, como a Park Slope Food Coop, de Nova York, e a cooperativa francesa La Louve.

Diferentemente desses dois projetos, que entraram em funcionamento anteriormente, a iniciativa da Gomo Coop começou a ser estruturada em 2021.

O capital inicial para a criação do estabelecimento, à época, foi formado por cotas-partes e empréstimos solidários feitos pelos fundadores. Atualmente, a cooperativa já conta com cerca de 700 membros.

Enquanto na Capital a novidade é o modelo cooperativo, no interior de São Paulo a inovação vem pela tecnologia.

Em Campinas, a rede de mercados Dom Olívio adotou caixas inteligentes capazes de identificar os produtos automaticamente e dispensar a leitura manual.