A Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) divulgou nesta sexta-feira (17/7) um cálculo apontando que metade das importações brasileiras aos EUA têm origem nos estados de São Paulo e Santa Catarina, estados que serão mais afetados pelas novas sanções aplicadas pelo governo Trump.
De acordo com a Apex, 2.375 produtos brasileiros vendidos aos EUA serão impactados. Em valor exportado, a agência calcula US$ 7,2 bilhões (cerca de 19,2% do valor total exportado em 2025).
“Se a gente pegar só São Paulo e Santa Catarina, dá 52% do total de impacto desse tarifaço“, afirmou Laudemir Müller, presidente da Apex Brasil.
“O impacto é diferenciado por setor e região. O estado de São Paulo é o com maior impacto. 68% das exportações de Santa Catarina estão impactadas pelo tarifaço”, acrescentou.
Quais produtos brasileiros vão pagar pelo ‘tarifaço’ de 25% dos EUA?
A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras começa a valer em 22 de julho e atingirá diversos produtos industriais e agrícolas exportados pelo Brasil.
Entre os produtos que passarão a pagar a sobretaxa estão:
- Açúcar de cana;
- Etanol;
- Pneus para automóveis, caminhões e ônibus;
- Gasolina;
- Óleo combustível (fuel oil);
- Carregadeiras;
- Transformadores elétricos;
- Tratores de esteira (bulldozers);
- Motoniveladoras;
- Tabaco em folhas;
- Portas de madeira;
- Madeira serrada;
- Madeira compensada;
- Calçados de couro;
- Granito;
- Pedras trabalhadas;
- Matérias proteicas;
- Chapas de alumínio.
Balanço das importações do EUA com o Brasil
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os Estados Unidos importaram US$ 37,7 bilhões (cerca de R$ 192,7 bilhões) em produtos brasileiros em 2025. Os dez principais itens exportados responderam por quase metade desse valor e, em sua maioria, permaneceram isentos da nova tarifa.
A sobretaxa foi aplicada com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Ainda não está totalmente definido se ela será acumulada com a tarifa global temporária de 10% adotada anteriormente pelos Estados Unidos, o que pode elevar a cobrança total para alguns produtos.
Além disso, o governo americano mantém outra investigação em andamento que poderá resultar em novas tarifas sobre exportações brasileiras.
