O vale-refeição de quem trabalha no Estado de São Paulo dura, em média, apenas 12 dias úteis. Segundo estudo da Pluxee divulgado pelo Radar Econômico da Veja. Embora esses 12 dias fiquem acima da média nacional, que caiu para nove dias úteis no País, o crédito continua insuficiente para cobrir um mês de trabalho comercial (22 dias úteis).
O resultado paulista empata com o Rio de Janeiro (12 dias) e fica atrás apenas de Minas Gerais (13 dias) no ranking nacional, enquanto estados como Roraima enfrentam o cenário mais crítico do Brasil, com duração de apenas seis dias.
A perda de poder de compra resulta do descompasso direto entre a inflação dos alimentos e o valor repassado aos funcionários. Nos primeiros seis meses do ano, o preço médio das refeições subiu 4,3%, atingindo R$ 44,69.
Por outro lado, o reajuste médio do benefício concedido pelas empresas foi de apenas 1,5% no mesmo período. A diferença consome o crédito na terceira semana de trabalho, tanto na capital quanto nos polos industriais do interior e da Região Metropolitana.
Marmita e cortes no prato
Com o fim do saldo antes do encerramento do mês, o trabalhador brasileiro precisa desembolsar, em média, R$ 589,00 do próprio bolso para cobrir o custo dos almoços restantes. Esse desembolso adicional representa um gasto extra de 101% além do crédito mensal recebido de R$ 583,75.
Frente ao estouro do orçamento, a alternativa é recorrer à marmita trazida de casa nos últimos dias úteis. Para os que continuam almoçando no comércio local, a saída para esticar o benefício inclui cortar itens como bebida e sobremesa ou procurar estabelecimentos mais distantes do trabalho.
Pauta em negociações e retenção de talentos
A defasagem do vale-refeição passou a dominar as pautas de recomposição salarial conduzidas por sindicatos. Além da exigência de reajustes que acompanhem os custos reais dos restaurantes, o cenário impõe um desafio às áreas de Recursos Humanos.
Mesmo com os incentivos fiscais oferecidos às companhias cadastradas no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), executivos do setor alertam que o benefício precisa ser tratado de forma estratégica. Em um mercado competitivo, vales defasados elevam o descontentamento e impactam diretamente a taxa de rotatividade de funcionários (turnover).





