Um dos compositores primordiais da música brasileira, Noel de Medeiros Rosa morreu em 4 de maio de 1937, com apenas 26 anos. Tempo suficiente para criar uma obra que transformaria a cultura nacional e se marcar como um defensor do jeito real de se falar o português do Brasil.
Em várias canções, o Filósofo do Samba revela desdém em encher seus textos de palavras emperiquitadas ou estruturas complexas à toa. É o caso do samba “Mulata Fuzarqueira”, que em dado momento diz: “Meu amô não tem R / mas é amô debaixo d’água”.
Mas o maior exemplo é “Não Tem Tradução”. Atento à invasão de hellos e byebyes vindos do cinema norte-americano,, Noel Rosa criou uma de suas obras-primas: “Amor lá no morro é amor pra chucu/ As rimas do samba não são I love you…”
Teve gente que se empolgou mais que o esperado com a canção. O compositor Orestes Barbosa vivia a escrever na imprensa contra a falta de preocupação do povo com a cultura nacional. Só que não raro flertava com xenofobia e entendia por estrangeirismo até o português de Portugal.
Referindo-se ao verso “É brasileiro, já passou de português”, exclamou: “Esse sem-queixo é demais. Um gênio! A gente aqui escrevendo, escrevendo, e ele resume tudo em meia dúzia de palavras. Exatamente meia dúzia!”
E completou, emocionado: “Eu trocaria toda a minha obra por um só verso deste samba”.
