Em “Aqui, Agora, Todo Mundo”, primeiro solo teatral de Felipe Barros, vencedor do prêmio Coelho de Prata de melhor espetáculo no 33º Festival Mix Brasil, um homem gay tenta reconstruir a própria história depois de atravessar o limite da existência.
Com direção de Heitor Garcia, o monólogo faz temporada no Teatro Sérgio Cardoso, na região central de São Paulo, até o dia 1º de março, com sessões aos sábados, domingos e segundas, às 19h. Em fevereiro, o Teatro Sérgio Cardoso também recebe a estreia do espetáculo “Susi, o Musical”, que promete trazer de volta ao imaginário coletivo uma personagem que ganhou o coração de milhares de crianças brasileiras no século passado.
Os ingressos para “Aqui, Agora, Todo Mundo” custam a partir de R$ 40. Pessoas trans podem adquirir entrada gratuita na peça (instruções ao final desta matéria).
A trama de “Aqui, Agora, Todo Mundo”
Entre o real e o imaginário, o trauma e a reinvenção, o personagem central de “Aqui, Agora, Todo Mundo”, convida o público a entrar em sua cabeça, um território instável, íntimo e poético, em que cada cena é um fragmento de memória, um eco de vivência.
Sem meias palavras, o espetáculo aborda, de forma sensível, os caminhos do entendimento da depressão, doença mental que acompanha a vida do personagem por anos.
Ao longo da trama, as lembranças do protagonista surgem como flashes: a família, os amores, as dores escondidas, os silêncios que moldam sua existência.
Diferente de outros espetáculos, neste, o público assume um papel ativo, guiando a ordem dos acontecimentos e provocando revelações inesperadas. O espetáculo se transforma a cada sessão, fazendo da experiência algo único e irrepetível. Nada é linear. Nada é óbvio.
“Aqui, Agora, Todo Mundo” é também um chamado coletivo, uma evocação à presença, à escuta e ao pertencimento. A peça não fala apenas sobre saúde mental, mas sobre sobrevivência emocional em uma sociedade que ainda marginaliza corpos dissidentes, especialmente os da comunidade LGBTQIAPN+.
O texto atravessa temas como a autoimagem, adolescência gay, pressão pela performance social e a busca por afeto em meio ao caos. A peça é um convite à escuta de um corpo que resiste, mesmo quando tudo dentro dele parece querer desaparecer.
Ao som de Jaloo
Alguns elementos teatrais servem para contribuir com o entendimento da história, e um destes elementos é a música, especialmente a criação da cantora, compositora, DJ e produtora musical Jaloo, que possui um trabalho consistente sobre saúde mental, ilustrado em sua obra.
“Durante o processo de descoberta da imagem sonora que o espetáculo teria, fomos explorando o universo musical da Jaloo, suas histórias e referências, e, a cada nova escuta, a música trazia um colorido especial à nossa narrativa. As letras pareciam dialogar com as memórias da personagem”, explica Felipe Barros.
Nesse processo, o autor explica que a DJ Agatha teve um papel fundamental:
“Foi ela quem realizou toda a decupagem da obra da Jaloo, selecionando os melhores trechos e propondo a transformação de música como trilha sonora da peça. Seu trabalho de curadoria e de desenho de som permitiu que cada música conversasse com cada cena, criando um elo sensível entre as emoções da personagem e o ritmo da narrativa. A partir dessa construção sonora, os elementos musicais se tornaram um fio condutor capaz de sustentar e potencializar o entendimento dessa encenação fragmentada”, conta.
Jaloo, nome artístico de Jade de Souza Melo, é uma cantora, produtora e DJ brasileira, expoente do pop, indie e eletrônico paraense, conhecida por sua fusão de ritmos regionais com batidas eletrônicas e visuais marcantes, celebrando sua identidade não-binária e de gênero fluido, usando pronomes femininos e explorando temas de transição e autoconhecimento em sua música e videoclipes.
Sinopse do espetáculo
Um garoto à beira de um abismo. Curvado sobre o parapeito de sua varanda, ele não salta, mas também não recua. Nesse instante suspenso, sua história explode como um quebra-cabeça lançado ao ar, cujas peças caem em desordem.
A partir desse limite entre o fim e a possibilidade de continuar, o espetáculo convida o público a mergulhar na mente de um homem em reconstrução.
Entre memórias que surgem fora de ordem, como quem tenta remontar um passado que já não se encaixa, acompanhamos a jornada de uma criança gay sensível que atravessa a vida adulta marcada por afetos intensos, silêncios dolorosos, heranças familiares tortas e a solidão de existir em um corpo dissidente.
Serviço – “Aqui, Agora, Todo Mundo”
Quando? Até 1º de março, aos sábados, domingos e segundas-feiras, às 19h
Nos dias 2, 9 e 23 de fevereiro, haverá uma roda de conversa com convidados após o espetáculo
Onde? Teatro Sérgio Cardoso – rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo
Quanto? R$ 80 (inteira) R$ 40 (meia-entrada); vendas através da plataforma Sympla.
Lista Trans Free: envie e-mail para [email protected]
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos
Capacidade: 144 lugares




