Histórias sobre acontecimentos que parecem antecipar uma tragédia costumam permanecer na memória justamente pela dificuldade de explicá-las, e uma delas aconteceu com Travis Barker, baterista do Blink-182, e uma frase dita por sua filha, Alabama, pouco antes de um acidente de avião que quase tirou sua vida em 2008.
Em uma entrevista recente ao podcast britânico On Purpose with Jay Shetty, focado em saúde mental, Barker voltou ao episódio e contou que a filha, então com apenas três ou quatro anos, chorou antes de sua viagem e pediu que ele não fosse. Segundo o músico, ela repetia que “o teto vai cair”.
O relato ganhou destaque novamente quase duas décadas depois da tragédia, que matou quatro pessoas e deixou Barker e seu amigo Adam “DJ AM” Goldstein como os únicos sobreviventes.
O que a filha de Travis Barker disse

Barker contou que se despediu de Alabama antes de seguir para um show próximo à Universidade da Carolina do Sul. A menina, que normalmente não apresentava aquele comportamento, começou a chorar e pediu que o pai não viajasse.
Segundo o músico, ela repetiu a frase sobre o teto cair. Na época, ele não compreendeu o que a criança queria dizer e seguiu viagem.
A lembrança ganhou um significado diferente depois do acidente. Barker já havia contado a mesma história em seu livro de memórias Can I Say, publicado em 2015.
Travis Barker também teve um mau pressentimento
A história não terminou na reação de Alabama. O próprio Barker afirmou que sentiu algo estranho antes de embarcar.
O músico explicou que inicialmente não queria viajar para o show. Ele estava em casa com os filhos e chegou a perguntar ao empresário se ainda poderia cancelar a apresentação, mas acabou seguindo para o compromisso.
Depois do show, o grupo decidiu fretar um avião particular de última hora para voltar para Los Angeles. Quando chegou ao aeroporto, Barker estranhou o tamanho da aeronave e disse que teve uma sensação ruim.
Ele também ligou para o pai e pediu que cuidasse dos filhos caso alguma coisa acontecesse. Para Barker, olhando para trás, aqueles sinais indicavam que ele deveria ter desistido da viagem.
O acidente que mudou a vida do músico
O avião decolou em 19 de setembro de 2008, na Carolina do Sul. Pouco depois da decolagem, problemas relacionados aos pneus fizeram a aeronave sair da pista e cair.
Quatro pessoas morreram: o assistente de Barker, Chris Baker, o segurança Charles “Che” Still e os dois pilotos, Sarah Lemmon e James Bland.
Barker e Adam “DJ AM” Goldstein sobreviveram, mas sofreram ferimentos graves. O baterista passou 11 semanas internado e precisou realizar 27 cirurgias durante o processo de recuperação.
O acidente também deixou uma marca profunda na relação do músico com a aviação. Barker passou 13 anos sem viajar de avião e voltou a voar apenas em 2021, quando viajou para o México com sua então futura esposa, Kourtney Kardashian.
O medo de voar ficou por anos
O acidente não representou apenas um episódio traumático na trajetória de Barker. Durante anos, o músico evitou completamente os aviões.
A experiência também ganhou espaço em sua produção artística e em sua história pessoal. O documentário “Travis Barker: Louder Than Fear”, lançado em 2026, aborda justamente a transformação do músico depois do acidente e sua tentativa de superar o medo de voar.
Ao relembrar o episódio atualmente, Barker afirma que tomaria uma decisão diferente. Segundo ele, a versão mais velha de si mesmo simplesmente não embarcaria caso tivesse novamente aquela sensação de perigo.
Premonição de Alabama segue inexplicável
Apesar de Barker interpretar a fala da filha como um dos sinais que antecederam o acidente, não existe comprovação de que Alabama tenha previsto a tragédia.
O que permanece documentado é o relato do próprio músico sobre o comportamento da filha e sobre o desconforto que ele também sentiu antes de embarcar. A combinação dos dois acontecimentos tornou a lembrança ainda mais marcante para Barker.
Quase 18 anos depois do acidente, a história voltou a ser contada pelo próprio baterista, que hoje olha para aquele momento não apenas como uma das experiências mais traumáticas de sua vida, mas também como um episódio que mudou sua relação com a família, a aviação e os próprios instintos.
