O ano mal começou e já nos deparamos com a alta procura por máscaras hospitalares e álcool gel. A razão do alarme é o coronavírus, que tem sintomas parecidos com os da gripe e tem chamado a atenção em todo o mundo. Desde que surgiu na China, no final de 2019, o agente infeccioso já atingiu quase 110 mil pessoas em todo o mundo, e levou à morte quase 4 mil delas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.
No Brasil são 34 os casos confirmados, segundo o Ministério da Saúde, e 893 suspeitos, mas em apenas dois estados houve transmissão local, de pacientes que viajaram para regiões com o vírus e transmitiram para outra pessoa: um em São Paulo e outro na Bahia. “Não é motivo para desespero”, explica a infectologista Dania Abdel Rahman Pereira, do Hospital Albert Sabin de São Paulo.
Os sintomas da infecção pelo Covid-19 (o nome técnico do novo coronavírus) são febre, tosse e dificuldade de respirar. São bastante parecidos com os de uma gripe. “O quadro clínico é muito semelhante, e não tem como saber se ele está infectado com o coronavírus ou com o influenza [o vírus da gripe]. A confirmação só pode ser feita por meio de exames específicos”, afirma Pereira.
Outra semelhança entre o coronavírus e a gripe é a forma de transmissão. Gotículas que o paciente infectado emite no ar ao espirrar e tossir – e também podem alcançar objetos próximos. Por isso a recomendação de sempre lavar as mãos, especialmente em ambientes públicos. “Lavar as mãos com água e sabão, ou com álcool gel, funciona muito bem para eliminar o vírus”, aponta a infectologista. Além disso, tanto o Covid-19 quanto o influenza não sobrevivem muito tempo fora do corpo, no máximo por algumas horas – isso derruba por terra o mito de contaminação por meio de produtos que vêm da China.
Mas há diferenças entre eles. O coronavírus leva até 14 dias para os sintomas dar as caras; já a gripe varia muito, visto que há muitos tipos diferentes de vírus. A taxa de mortalidade também é maior na gripe, atingindo crianças, adultos e idosos. Já o coronavírus, essa taxa está em 2%: ela é predominante em pacientes mais idosos ou imunossuprimidos, pessoas cujo sistema imunológico está debilitado. Há vacina contra os tipos mais graves de gripe, e medicação específica; e o coronavírus, por ser recente, não tem vacina nem remédios. “O tratamento é para controlar febre e dores e, em casos mais graves, o paciente é internado”.
De qualquer forma, não há razão para alarde, nem corrida às farmácias para comprar máscaras. “O Brasil está agindo corretamente para evitar uma epidemia”, disse a cientista biomética Tamara Gomes. E nunca é demais lembrar: a infecção tanto pelo influenza quanto pelo coronavírus só acontece se a imunidade estiver baixa. “Quem combate o vírus é o sistema imunológico. Se nos alimentarmos bem, dormirmos bem, bebermos água suficiente e repousarmos, não ficaremos doentes”, completa.
(Vanessa Zampronho)

