Uma frase dita pela gestora de arte Carolina Herszenhut em um podcast da Gazeta foi usada no álbum “3AM – Histórias de uma madrugada”, da DJ e beatmaker Carla Araraki, recém-chegado às plataformas digitais.
Na faixa “Ep.10 – Interlúdio – Arte?”, surge a voz de Carolina: “Em relação ao picho, tem uma coisa que eu sempre digo: não dá para colocar a polícia como curadora, e nem a prefeitura”.
A afirmação foi feita durante a participação da fundadora da Aborda, uma gestora de artistas visuais, no podcast Direto da Gazeta, em junho de 2025. No mesmo episódio estava o influenciador Filipe Grimaldi, que já juntou 1,3 milhão de seguidores no Instagram ao falar sobre arte pelas redes sociais.
Ambos respondiam a uma pergunta do apresentador Bruno Hoffmann, que questionou se pichação é arte. Na sua fala, que também está na música de Carla Arakaki, Carolina continuou: “Que qualidade técnica ou conhecimento teórico a polícia tem para definir o que é ou o que não é arte? A arte popular está tão potente por essa relação com a gente, com o que nos é mais próximo”.
Além de DJ, Carla registra em fotos a cena do grafite e da pichação em São Paulo há mais de uma década. Agora, no lançamento, ela traduz toda essa vivência num projeto musical que atravessa uma madrugada até o amanhecer, retratando esse universo.
“Que hajam mais espaços para isso e mais meios de propagar o debate sobre arte em suas múltiplas formas”, destacou Carolina.
O que diz a lei e as artes
No Brasil, o ato de pichar, rabiscar ou conspurcar edificações e monumentos urbanos sem autorização é enquadrado como crime ambiental.
Há um debate mundial, porém, sobre o potencial artístico da pichação. Grandes instituições culturais e museus já abriram seus espaços e fachadas para pichadores de todas as vertentes, como uma expressão de rebeldia e revolta urbana ligada principalmente às grandes cidades.
