Gigantes da dramaturgia: Laura Cardoso e Glória Menezes, estrelas da TV brasileira, falecem uma depois da outra; relembre trajetória das artistas

Laura Cardoso faleceu na noite de segunda-feira (17), aos 98 anos, e Glória Menezes nesta terça-feira (18), aos 91 anos.

Laura Cardoso e Glória Menezes/ Foto: Reprodução/ X/ @telenewstn

Laura Cardoso e Glória Menezes/ Foto: Reprodução/ X/ @telenewstn

A televisão brasileira se despede, em um intervalo de apenas um dia, de duas de suas maiores e mais emblemáticas artistas. Laura Cardoso faleceu na noite de segunda-feira (17), aos 98 anos, e Glória Menezes nesta terça-feira (18), aos 91 anos.

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Pioneiras da teledramaturgia no país, elas atravessaram gerações, deram vida a dezenas de personagens marcantes e ajudaram a construir a história do audiovisual nacional.

Glória Menezes: a sofisticação e o pioneirismo da telenovela

Glória Menezes se destacou inicialmente como uma das grandes heroínas românticas da televisão, mas também mostrou versatilidade em personagens cômicas e vilãs. Em “Irmãos Coragem” (1970), por exemplo, enfrentou um dos maiores desafios de sua carreira ao interpretar Maria de Lara, Diana e Márcia, três personalidades diferentes de uma mesma personagem. A atriz também brilhou na comédia “Brega & Chique” (1987), como Rose Amado, uma dondoca elegante que perde a fortuna após a morte do marido e precisa se adaptar a uma nova realidade.

Em “Rainha da Sucata” (1990), Glória assumiu um de seus papéis mais lembrados: Laurinha Figueroa, uma socialite arrogante e falida da elite paulistana que se torna rival de Maria do Carmo, personagem vivida por Regina Duarte. Anos depois, a atriz voltou a apostar em personagens de forte carga dramática. Em “Senhora do Destino” (2004), interpretou a Baronesa de Bonsucesso, uma aristocrata que enfrentava os avanços do Alzheimer. Já em “A Favorita” (2008), viveu Irene Fontini, uma mulher rica, culta e ingênua que acaba manipulada por Flora, interpretada por Patrícia Pillar.

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Sua última novela completa foi “Totalmente Demais” (2015), na qual interpretou Stelinha, mãe de Arthur, personagem de Fábio Assunção. Irreverente e sofisticada, ela era responsável por ajudar a transformar Eliza, vivida por Marina Ruy Barbosa, em uma modelo refinada.

Laura Cardoso: a força e a versatilidade do teatro à TV

Laura Cardoso, por sua vez, construiu uma carreira marcada pela intensidade dramática e pela capacidade de transitar entre personagens completamente diferentes. Ainda nos primeiros anos da televisão brasileira, na TV Tupi, interpretou Cosette em “Os Miseráveis” (1958), em uma das primeiras adaptações da obra literária para a televisão nacional.

Na TV Globo, ganhou destaque no horário nobre como Marta, em “Fera Radical” (1988), personagem que criou a protagonista Cláudia, vivida por Malu Mader. Em “Mulheres de Areia” (1993), Laura interpretou Dona Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, vividas por Glória Pires. A personagem ficou conhecida por defender e proteger Raquel, mesmo diante das maldades cometidas pela filha.

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Um de seus trabalhos mais marcantes veio no ano seguinte, em “A Viagem” (1994). Como Guiomar, Laura protagonizou cenas de forte carga dramática ao interpretar uma personagem influenciada e atormentada pelo espírito vingativo de Alexandre, vivido por Guilherme Fontes.

Nos anos seguintes, a atriz também conquistou o público com personagens mais populares e bem-humorados. Em “Chocolate com Pimenta” (2003), viveu Dona Carmem, a carismática avó de Ana Francisca, personagem de Mariana Ximenes. Em “Caminho das Índias” (2009), interpretou Laksmi Ananda, uma matriarca rígida e defensora dos costumes indianos. Já em “Gabriela” (2012), deu vida a Doroteia, uma beata moralista e maldosa que comandava a vida dos moradores de Ilhéus.

Em “Sol Nascente” (2016), Laura mostrou novamente sua versatilidade ao interpretar Dona Sinhá, uma personagem que parecia ser apenas uma inofensiva senhora que fazia doces, mas escondia uma vida criminosa como líder de uma quadrilha especializada em estelionato. Sua última novela foi “A Dona do Pedaço” (2019), na qual fez uma participação como Matilde, uma senhora que sofria de demência e guardava segredos relacionados ao passado das protagonistas.

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Com personagens tão distintos, Glória Menezes e Laura Cardoso ajudaram a construir parte da memória afetiva da televisão brasileira. Entre heroínas, vilãs, matriarcas, mulheres cômicas e personagens marcadas pelo drama, as duas deixaram uma coleção de atuações que permanece viva nas reprises e na lembrança do público.

Artistas já estiveram no mesmo elenco mais de uma vez

Além de construírem trajetórias paralelas de enorme sucesso, Laura Cardoso e Glória Menezes compartilharam elencos e momentos marcantes na televisão brasileira:

  • Pioneirismo na TV (1959): As duas estiveram no elenco de Um Lugar ao Sol, produção que marcou a estreia de Glória Menezes na TV e contou com Laura Cardoso nos primeiros anos de sua transição para a teledramaturgia.
  • Teleteatro: Na TV Tupi, em 1960, dividiram a atuação no teleteatro A Jaula. Laura era a terrível e sádica carcereira Evelyn Harper e Glória viveu uma das prisioneiras.
  • Rainha da Sucata (1990): No clássico de Silvio de Abreu, Glória viveu a marcante vilã Laurinha Figueroa, enquanto Laura Cardoso interpretou Yolanda Maia.
  • Senhora do Destino (2004): Grande sucesso da TV Globo, onde contracenaram juntas décadas depois. Glória Menezes interpretou a aristocrática Baronesa Laura Correia de Andrade e Couto. Laura Cardoso fez uma participação especial marcante como Luzitana, a mãe biológica da vilã Nazaré Tedesco.

Além disso, em 2002, Laura Cardoso foi a primeira homenageada com o Troféu Mário Lago no Domingão do Faustão, e a estatueta foi entregue justamente por Glória Menezes. Anos depois, em 2018, as duas amigas e parceiras de profissão subiram juntas ao palco para entregar a honraria a outros veteranos da TV.