Um estudante chinês de 14 anos criou um dispositivo capaz de captar a umidade do ar e direcioná-la para as raízes de árvores plantadas em uma região seca da China.
Jia Mingxuan, da Região Autônoma da Mongólia Interior, desenvolveu o sistema depois de observar vapor se transformando em gotas na janela da cozinha de sua família.
A invenção participou da competição júnior da 77ª Exposição Internacional de Invenções de Nuremberg, na Alemanha, realizada no fim de 2025. Jia disputou com mais de 540 invenções e recebeu a medalha de ouro.
Confira a história e o funcionamento da tecnologia a seguir.
Invenção de Jia Mingxuan
A ideia surgiu no início de 2025, quando o professor de ciências de Jia pediu que os alunos propusessem projetos de invenção.
Ao observar a condensação em uma parede de azulejos, ele lembrou de uma aula de física e pensou “Será que eu poderia usar o mesmo princípio para coletar água para mudas?”.
O dispositivo usa tubos de aço e garrafas plásticas recicladas. Uma calota eólica (também conhecida como cubo ou nariz de turbina eólica) instalada na parte superior permite a circulação do ar.
Quando o vapor presente no ar entra em contato com superfícies mais frias no subsolo, ocorre a condensação, formando pequenas gotas de água.
Essas gotas são direcionadas para a região das raízes. Assim, a estrutura consegue fornecer umidade às mudas sem depender de uma fonte externa de água.

Tecnologia para uma região seca
A criação foi inspirada pela realidade de Chifeng, onde Jia vive. A área faz parte do Programa Florestal de Proteção das Três Regiões do Norte da China, considerado o maior projeto de reflorestamento do mundo.
Aohan Banner tinha grandes áreas cobertas por areia na década de 1960, tanto que a precipitação anual era de apenas 380 milímetros. Atualmente, porém, cerca de 40,6% do condado é coberto por florestas.
Jia observava que algumas mudas ainda tinham dificuldade para sobreviver. A irrigação manual podia ser lenta, cara e difícil em locais remotos.
Para testar o dispositivo, o estudante chegou a viajar 30 km até sua casa e acordar às 4h para verificar a umidade de uma estrutura enterrada a dois metros de profundidade.
Medalha de ouro e próximos passos
Segundo a agência chinesa Xinhua, Jia não esperava receber o prêmio.
“Quando as premiações de bronze e prata foram entregues sem o meu nome, pensei que tudo tinha acabado”, contou.
Ao ouvir seu nome para receber o ouro na iENA, Jia revelou ter ficado “estupefato”.
Para o adolescente, a premiação não encerra o projeto. “Este prêmio é um novo ponto de partida”, afirmou.
Ele já trabalha com uma equipe de pesquisa de Xangai para aprimorar o dispositivo e pretende transformá-lo em uma ferramenta prática para ajudar no plantio de árvores.
