Livro resgata a história de Darwin, o primeiro transformista do cinema brasileiro

Publicado pela editora O Sexo da Palavra após estreia na Flip, 'Darwin: O imitador do belo sexo' resgata a memória da arte drag no Brasil e conta com performance de Mercedes Vulcão em SP

Livro é do pesquisador Sancler Ebert /Joyce Cury

O primeiro artista transformista do cinema brasileiro tem sua trajetória resgatada no livro ‘Darwin: O imitador do belo sexo’, obra do pesquisador Sancler Ebert lançada na Flip e que chega a São Paulo no dia 17 de setembro. O evento de lançamento acontece na Casa Fluída, das 18h às 20h30, e contará com bate-papo com o autor e uma performance exclusiva da drag queen Mercedes Vulcão (Drag Race Brasil) encenando o próprio Darwin.

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O livro explora como Darwin se apresentava em espetáculos que combinavam imitação de diferentes tipos de mulheres, canções e figurinos de luxo. As performances aconteciam em cineteatros, entre sessões de filmes e outras atrações, e alcançaram públicos de diferentes regiões do país. Foi nesse circuito que o artista chegou ao cinema, em 1923, no curta-metragem “Augusto Annibal Quer Casar”, dirigido por Luiz de Barros, no qual interpretou a noiva do protagonista. Atualmente, apesar de ser uma película perdida, o título registra uma das primeiras participações queer no cinema brasileiro.

A obra também lança luz sobre um período pouco conhecido da história do transformismo no Brasil. A atuação de Darwin antecede as referências mais conhecidas dessa expressão artística e mostra que apresentações baseadas na representação feminina já ocupavam palcos e cineteatros brasileiros muito antes de se consolidarem na memória cultural do país. Para Ebert, revisitar esse percurso amplia a compreensão sobre as manifestações artísticas relacionadas à performance de gênero no Brasil.

“Darwin teve uma grande relevância para a cena cultural brasileira. Ele se apresentou em muitos lugares, teve público, participou de um filme e foi uma figura conhecida em sua época. O que me incomoda é perceber que alguém com essa importância foi apagado da história. Espero que, ao conhecer Darwin, o leitor também fique curioso para descobrir outros personagens que tiveram suas histórias esquecidas”, afirma o autor.

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Uma coleção dedicada a histórias esquecidas

“Darwin: O imitador do belo sexo” integra a coleção Vidas Sequestradas, organizada por César Braga-Pinto e publicada pela O Sexo da Palavra. A série reúne ensaios introdutórios e recortes biográficos de personagens históricos da literatura, das artes e do ativismo político cujas trajetórias foram obscurecidas pelas grandes narrativas, especialmente em relação às dissidências sexuais ou de gênero. Os livros partem do interesse de cada autor pelo biografado e buscam recuperar essas experiências sem transformar a intimidade dos personagens em objeto da narrativa.