Cerveja Malt 90, lançada nos anos 1980, patrocinou o 1º Rock in Rio, mas depois passou a ser considerada uma das piores cervejas do Brasil e desapareceu dos mercados

Lançada pela Brahma em 1984 para conquistar o público jovem, bebida foi a cerveja oficial do primeiro Rock in Rio, mas acabou conhecida pelo apelido de 'Malt Nojenta'

Cerveja Malt 90

Malt 90 era uma cerveja do tipo pilsen, mais clara e suave que outras opções disponíveis no mercado/Reprodução/YouTube

Antes de o Rock in Rio se transformar em um dos maiores festivais de música do mundo, havia uma cerveja no centro do projeto. A Malt 90, lançada pela Brahma em 1984, foi criada para conquistar o público jovem e acabou sendo a bebida oficial da primeira edição do festival, realizada em janeiro de 1985.

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A história, porém, terminou de maneira bem diferente do que a fabricante imaginava. Apesar de uma grande campanha de marketing e da enorme exposição proporcionada pelo Rock in Rio, a cerveja não caiu no gosto de boa parte dos consumidores e ganhou um apelido que resumiria sua trajetória: “Malt Nojenta”.

Malt 90: a cerveja que ajudou a colocar o Rock in Rio de pé

A ligação entre a Malt 90 e o Rock in Rio é mais profunda do que simplesmente um patrocínio. Segundo a revista Exame, o festival foi criado a pedido da Brahma justamente como uma plataforma de comunicação para o lançamento da nova cerveja.

A estratégia era associar a marca à juventude e à modernidade. A Malt 90 era uma cerveja do tipo pilsen, mais clara e suave que outras opções disponíveis no mercado, características que deveriam ajudá-la a conquistar os consumidores mais jovens.

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O plano deu resultado inicialmente. Roberto Medina, criador do Rock in Rio, afirmou posteriormente que a Malt 90 chegou a alcançar 14% de participação de mercado. O desempenho foi considerado suficiente para fortalecer a aposta em um grande evento musical associado à marca.

Foi assim que, em janeiro de 1985, a cerveja ganhou uma vitrine gigantesca diante do público do primeiro Rock in Rio, realizado na Cidade do Rock, em Jacarepaguá.

Quando a cerveja virou ‘Malt Nojenta’

O problema estava no principal teste para qualquer cerveja: o paladar.

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Mesmo com o investimento em publicidade, a Malt 90 não conseguiu manter o sucesso inicial. A rejeição entre consumidores fez surgir o apelido que transformou a “Malt noventa” em “Malt Nojenta”, que acabaria ficando associado à marca mesmo décadas depois de seu desaparecimento.

A própria Exame registra que a bebida não alcançou sucesso entre os consumidores.

Relatos de consumidores que relembram a cerveja também ajudam a explicar a fama. Em retrospectos sobre bebidas dos anos 1980, aparecem apelidos como “Malt Nojenta” e críticas ao sabor.

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A exclusividade da bebida no primeiro Rock in Rio também não ajudou sua reputação. Como a Malt 90 era a cerveja disponível na Cidade do Rock, quem não gostava dela praticamente não tinha outra opção alcoólica durante o festival.

Um relato sobre a primeira edição chega a resumir a situação dizendo que a exclusividade da Malt 90 era “um convite à sobriedade”.

Do Rock in Rio ao fim das prateleiras

A trajetória da Malt 90 acabou sendo uma das curiosidades da história da publicidade brasileira: uma marca criada para representar modernidade e juventude conseguiu estar ligada ao nascimento de um dos maiores festivais do País, mas não conseguiu construir uma relação duradoura com os consumidores.

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A bebida acabou sendo descontinuada depois de alguns anos. O produto que havia chegado ao Rock in Rio como símbolo de uma nova geração passou a sobreviver principalmente na memória de quem viveu os anos 1980 — quase sempre acompanhado de alguma história sobre seu sabor.

Por isso, chamar a Malt 90 de “a pior cerveja do Brasil” deve ser entendido como força de expressão, e não como um título oficial ou resultado de um ranking. A fama de uma das cervejas mais rejeitadas e criticadas da época, porém, é parte da história da marca.

No fim, a Malt 90 deixou um legado curioso: pode ter fracassado como cerveja, mas ajudou a dar origem a um dos maiores sucessos da história do entretenimento brasileiro.