A Mocidade Alegre, uma das mais tradicionais escolas do Carnaval paulistano, entra no Sambódromo do Anhembi na noite deste sábado (14) em busca do 13º título do Grupo Especial. Representando o bairro do Limão, a agremiação apresenta o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, em homenagem à atriz Léa Garcia.
O desfile propõe um tributo à trajetória e ao legado da artista, reconhecida por seu pioneirismo e por ampliar o protagonismo negro na dramaturgia brasileira. Léa marcou época em produções de grande repercussão nacional e internacional, como a novela Escrava Isaura, consolidando-se como referência para gerações de atores e atrizes negras no País.
Terceira escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial de São Paulo, a Mocidade Alegre retorna à avenida após conquistar a quarta colocação no Carnaval do ano passado. A expectativa é de um espetáculo que una emoção, consciência histórica e impacto visual.
Em entrevista exclusiva à Gazeta, a presidente da escola, Solange Cruz, destacou a dedicação da comunidade na preparação do desfile e reforçou a confiança em um trabalho pautado pelo respeito à memória da homenageada e pela busca de mais um campeonato.
Com a proposta de enaltecer a força feminina, a ancestralidade africana e o protagonismo da população negra, a escola aposta em uma narrativa que articula referências históricas, religiosas e artísticas. Sob a assinatura do carnavalesco Caio Araújo, o projeto ganha forma em alegorias de grande porte e fantasias simbólicas, pensadas para traduzir na avenida a dimensão artística e social da homenageada.
A apresentação promete transformar o sambódromo em um palco de celebração à cultura afro-brasileira e à representatividade, reafirmando o compromisso da escola com um Carnaval que alia espetáculo, memória e engajamento social.
Confira samba-enredo abaixo:
“Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”
Compositores: Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Lucas Donato, Marcos Vinícius, Márcio André, Fabian Juarez, Fábio Gonçalves, PH do Cavaco, Salgado Luz, Tomageski, Mingauzinho e Chico Maia
Letra
Laroyê! Bate três vezes…
Ê mojubá! A Deusa Negra é ela!
A filha de Oxumarê
Que traz no sangue a força da mulher
Pisa forte nesse chão
Afirmando seu lugar
Pra fazer revolução
Seu direito conquistar
Nosso povo entra em cena
A arte nunca pode se render
Ecoa a voz do “Nascimento”
Orfeu sobe o morro pra vencer!Lerê! Lerê! Lerererere!
Lerê! Lerê! Lerererere!
A guerreira no “Quilombo”
Fez valer o seu papel
Pela luz das yabás
Todo preto vai pro céu!
Consagração, da negritude
Resiste entre tantos personagens
A pele preta é armadura
No palco, expressão de liberdade
Evoé, mulher!
Igual a ti eu nunca vi
Você ainda está aqui
Pra sempre, presente!
É sua coroação
Protagonista no meu pavilhão
Ô! Malunga!
Ô! Malunga ê!
Malunga Léa, arroboboi
Toca o bravum com ancestralidade
No terreiro Mocidade!









