Presidentes da Rosas de Ouro e da Mocidade Alegre falam sobre amizade e o futuro do Carnaval de SP

Juntas, Angelina Basílio e Solange Cruz falam sobre bastidores, enredos, preconceitos e os desafios do Carnaval de São Paulo

Solange Cruz ao lado de Angelina Basílio e entrevista exclusiva à Gazeta em São Paulo

Solange Cruz ao lado de Angelina Basílio e entrevista exclusiva à Gazeta em São Paulo | Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

Angelina Basílio, presidente da Rosas de Ouro, e Solange Cruz, presidente da Mocidade Alegre, participaram de uma entrevista exclusiva à Gazeta. A menos de 30 dias do Carnaval de São Paulo, uma das maiores festas populares do mundo, as dirigentes falaram sobre a forte amizade entre as duas, os preparativos para os desfiles, preconceito e o universo do samba.

As presidentes foram entrevistadas no programa Direto da Gazeta, exibido pela TV GMG. Juntas, as duas agremiações somam 20 títulos no Carnaval paulistano e estão entre as mais tradicionais da capital.

Atual campeã do Carnaval de São Paulo, a Rosas de Ouro conquistou, no ano passado, seu oitavo título com o enredo “Rosas de Ouro em uma Grande Jogada”. Para este ano, a escola da Brasilândia levará à avenida o tema “Escrito nas Estrelas”, que aborda o universo da astrologia.

Já a Mocidade Alegre, tradicional pavilhão do bairro do Limão, é a segunda maior campeã da história do Carnaval de São Paulo, com 12 títulos conquistados na elite da folia paulistana.

Para 2026, a escola anunciou um enredo em homenagem à atriz Léa Garcia, uma das maiores referências do cenário artístico nacional. O tema será “Malunga Léa – A Rapsódia de uma Deusa Negra”.

Durante a entrevista, Solange Cruz comentou sobre a relação entre as duas presidentes. “Eu não sei nada do que vai acontecer na Rosas de Ouro, e ela não sabe nada do que vai acontecer na Mocidade. Mas as pessoas entendem de outra forma. Angelina é minha amiga, e ponto”, afirmou.

Aos risos, Angelina Basílio brinca após fala de Solange. 

 “Eu sempre falo: Mocidade Alegre, uma coisa positiva. Rosas? Já é lindo. De Ouro, então!”, complementa. Confira entrevista em vídeo abaixo: 

Carnaval campeão

O título do Carnaval de São Paulo de 2025 saiu no último quesito após uma apuração emocionante. 

Com 269,8 pontos totais, a Rosas de Ouro foi a vencedora, empatada com Acadêmicos do Tatuapé, mas ficando na frente pelos critérios de desempate. O último título da Rosas de Ouro havia sido em 2010.

A confirmação do título veio apenas na última nota do último quesito, em uma arrancada que tirou a escola da 11ª posição rumo ao oitavo título da agremiação.

O enredo de “Rosas de Ouro em uma Grande Jogada” trouxe a história dos jogos, fazendo um painel de como influenciaram a humanidade ao longo dos anos.

Na celebração, em alusão ao enredo, os líderes da escola comemoraram dizendo que “o jogo virou”, e que a agremiação não foi apontada como uma das favoritas, mas que com um trabalho muito bem feito, chegou ao título.

Gestão e preconceito 

Além do título, Angelina carrega consigo a herança de uma família pioneira no samba. 

Fundada há 54 anos e com seu oitavo título de campeã conquistado em 2025 no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, a Sociedade Rosas de Ouro é presidida por Angelina Basílio há mais de duas décadas.   

Angelina Basílio está na agremiação desde a infância, acompanhando sua trajetória desde a fundação em 1971, e assumiu a presidência após a morte de seu pai, o respeitado Eduardo Basílio.

Angelina passou por todas as funções e atividades da escola: porta-bandeira, componente e diretora de aula, destaque de carro alegórico e de chão, comissão de frente, diretora de eventos, vice-presidente, além de ter realizado trabalho social. 

A presidente da Roseira – apelido carinhoso da escola – afirmou que quando assumiu a presidência, a recepção pelos integrantes da agremiação não foi boa e foi repleta de preconceitos e descrença em relação a sua competência. 

“Não foi fácil assumir o lugar de Eduardo Basílio, um homem à frente do seu tempo. Um homem visionário. Eles falavam na época, além de ser mulher, que eu ia acabar com a Rosas de Ouro. Foi bem sofrido. Foi muito sofrido a minha posse como presidente da Rosas de Ouro”, reforça Angelina. 

A presidente da escola campeã complementou a resposta em relação ao machismo. “Você imagina, 22 anos atrás, uma mulher assumir um cargo que é masculino era muito mais complicado. Não é fácil, porque sendo mulher você tem que mostrar três vezes mais que você é capaz”.

Gestão forte, vitoriosa e agregadora 

Uma das figuras mais emblemáticas do Carnaval de São Paulo, Solange Cruz, presidente da Mocidade Alegre, possuí mais de 20 anos de uma gestão bem-sucedida à frente da Mocidade Alegre. 

Com uma administração considerada firme e agregadora, presente em todos os departamentos da escola, a presidente assumiu o posto em 2003. De lá para cá, a escola foi oito vezes campeã.