O vampiro mais conhecido da literatura ganha uma nova leitura nos palcos de São Paulo. “Drácula”, espetáculo do Coletivo ROOF inspirado livremente no clássico de Bram Stoker, estreia neste sábado (3/10), no Espaço Parlapatões, na Praça Franklin Roosevelt, e transforma o mito sobrenatural em uma discussão sobre poder, narcisismo, sedução e violência.
Com direção geral e concepção criativa de Bruno Eustáquio, a montagem parte de uma pergunta: o que acontece quando o verdadeiro horror deixa de estar no sobrenatural e passa a existir nas relações humanas? Para responder, o espetáculo mantém elementos reconhecíveis da história original, mas desloca o foco do vampiro como criatura fantástica para o homem que precisa dominar o outro para sustentar a própria existência.
Nesta versão, Drácula não se reconhece no espelho. Por isso, depende das pessoas ao seu redor para construir a própria imagem. As vítimas deixam de ser apenas personagens perseguidas por uma criatura e passam a representar também aqueles que são transformados em objeto, extensão ou fonte de validação.
Do horror gótico à violência contemporânea
A escolha de manter as mulheres no centro da violência aproxima o espetáculo de debates que ultrapassam o universo do terror. A montagem estabelece relações entre a dinâmica do vampiro e temas como objetificação, controle, relações abusivas e violência contra a mulher, chegando ao debate sobre feminicídio.
Nosso Drácula não é apenas uma criatura sobrenatural. Ele representa um homem que precisa do outro como espelho para sustentar a própria existência”, afirma Bruno Eustáquio.
Segundo o diretor, a peça também fala sobre “sedução, poder e violência” e sobre situações que muitas vezes estão diante das pessoas, mas acabam não sendo enxergadas.
A atmosfera do espetáculo acompanha essa proposta. Em um espaço fechado, no qual a passagem do tempo parece suspensa, sedução e ameaça se aproximam até que a fronteira entre desejo, manipulação e violência se torne cada vez mais difícil de distinguir.
É justamente nessa atualização que está a principal aposta da montagem: usar um personagem conhecido do imaginário popular para discutir formas de violência que não dependem de presas, sangue ou elementos sobrenaturais. O vampiro continua sendo uma figura de horror, mas o que assusta passa a ser reconhecível fora do palco.
“Drácula” tem classificação de 18 anos e reúne dez artistas no elenco, além do ator convidado Gabriel Alves. A equipe também conta com profissionais responsáveis por coreografia, direção corporal, iluminação, sonoplastia, cenografia, figurino, maquiagem, vídeo e produção.
Serviço
“Drácula” — Coletivo ROOF
- Estreia: 3 de outubro de 2026
- Temporada: até 1º de novembro
- Horários: sábados, às 20h; domingos, às 19h
- Local: Espaço Parlapatões — Praça Franklin Roosevelt, 158, São Paulo
- Classificação: 18 anos
- Ingressos: Sympla
- Produção e realização: Coletivo ROOF






