Após uma estreia marcada por sessões lotadas e boa recepção de público e crítica, o espetáculo “O Talentoso Ripley” retornou ao Rio de Janeiro. A nova temporada da peça entrou em cartaz no dia 3 de maio, na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, com ingressos disponíveis pelo site da Funarj e na bilheteria do teatro. As entradas custam a partir de R$ 35.
Inspirada no romance de Patricia Highsmith e na adaptação teatral de Phyllis Nagy, apresentada pela primeira vez em português, a narrativa acompanha a jornada de Tom Ripley, um jovem americano de origem humilde que é enviado à Itália para convencer Dickie Greenleaf, herdeiro de uma família rica, a voltar para os Estados Unidos.
Fascinado pelo estilo de vida luxuoso e despreocupado do rapaz, Tom se aproxima cada vez mais dele e passa a desejar fazer parte daquele universo.
A trama se desenvolve em meio a manipulação, obsessão e crimes, explorando temas como identidade, ambição e moralidade. “O Talentoso Ripley” ficou conhecido pelo grande público após o lançamento de uma versão cinematográfica da história, protagonizada pelo ator Matt Damon, em 1999.
Detalhes da adaptação
A montagem brasileira e inédita privilegia a dimensão psicológica da narrativa. A encenação desloca o eixo da ação para o ponto de vista de Tom Ripley, criando um percurso em que percepção, relato e verdade se embaralham diante do espectador.
O espetáculo é protagonizado pelo ator Hugo Bonèmer, que também divide a direção com Kamilla Rufino e assina a produção em um processo independente. Esse acúmulo de funções se reflete na proposta cênica, construída a partir da articulação entre atuação, linguagem e concepção.
A ideia, segundo Bonèmer, é conduzir o público por uma narrativa que busca legitimar as escolhas do protagonista, mesmo em seus limites mais extremos.
Fluidez e o deslocamento de identidades
O elenco reúne ainda Cassio Pandolfh, Francisco Paz, Guilhermina Libanio, João Fernandes, Laura Gabriela e Tom Nader, que se revezam em diferentes personagens ao longo da peça.
O recurso, previsto na adaptação de Nagy, é explorado como elemento central da encenação, acentuando a fluidez e o deslocamento de identidades que atravessam a história.
Escrita antes da versão cinematográfica, a dramaturgia de Nagy amplia o espaço das personagens femininas e aprofunda suas camadas dramáticas. Na leitura apresentada no palco, esse enfoque resulta em relações mais tensas e em uma reorganização do olhar sobre a trama, destacando novas forças que incidem sobre o percurso de Ripley.
Farsa, naturalismo e realismo fantástico: narrativa e cenografia
A direção aposta em uma construção física marcada por imagens simbólicas e por mudanças de registro, transitando entre farsa, naturalismo e realismo fantástico. A narrativa assume um formato fragmentado, como se o público acompanhasse uma espécie de transmissão conduzida pelo próprio protagonista, que compartilha suas versões diretamente com a plateia.
Esse conceito se estende à cenografia, um dos aspectos mais comentados da montagem. Com criação de Bonèmer, iluminação de Renato Machado e figurinos de Sergio Medina Paranhos e Joe Nicolay, o espetáculo constrói uma atmosfera visual alinhada à instabilidade da narrativa.
Entre os elementos de destaque do cenário, estão estruturas compostas por sacos de água suspensos sobre o palco, imagem que combina sofisticação estética e tensão permanente, reforçando a sensação de ameaça que acompanha o personagem.
A encenação dialoga com referências que vão do suspense clássico ao universo contemporâneo do true crime, mantendo como base a investigação psicológica proposta pelo material original.
Assinada por Tauã de Lorena em parceria com Laura Gabriela, a trilha sonora inédita também contribui para essa atmosfera ao trabalhar variações sobre um mesmo tema, criando uma sensação recorrente de familiaridade e estranhamento.
Mais do que revisitar uma história conhecida, a montagem propõe uma reflexão sobre desejo, mobilidade social e construção de imagem. Ao aproximar a trajetória de Ripley de questões contemporâneas ligadas à performance e à busca por reconhecimento, o espetáculo conduz o público a um território em que a distância entre observador e personagem se dissolve.
É nesse ponto de tensão, entre identificação e desconforto, que a peça encontra sua força e se estabelece como um estudo sobre os limites que alguém pode ultrapassar para conquistar seu lugar no mundo.
Se você gosta de teatro, mas não está no Rio de Janeiro, não deixe de conferir que fenômeno de público, musical sobre Rita Lee reestreia em São Paulo.
Serviço – “O Talentoso Ripley” no Rio de Janeiro
Onde? Casa de Cultura Laura Alvim – Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema, Rio de Janeiro
Quando? Até o dia 31 de maio; sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h
Quanto? R$70 (inteira) e R$35 (meia-entrada)
Classificação indicativa: 18 anos



