Golpes nas eleições: como a inteligência artificial pode enganar eleitores em 2026

Links falsos, mensagens em nome de autoridades e vídeos manipulados estão entre os riscos durante o período eleitoral; especialista explica como se proteger

Golpistas podem solicitar informações sigilosas / Tima Miroshnichenko/Pexels

Com o aumento da circulação de informações sobre candidatos, pesquisas e propostas durante o período eleitoral, eleitores também precisam ficar atentos aos golpes digitais, já que criminosos costumam aproveitar assuntos que despertam grande interesse público para criar mensagens falsas, espalhar links maliciosos e convencer vítimas a fornecer dados pessoais.

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Uma suposta pesquisa exclusiva, uma lista falsa de candidatos, um vídeo “vazado” ou uma mensagem sobre problemas com o título eleitoral podem ser usados como isca. Segundo Alberto Jorge, CEO da Trust Control e especialista em cibersegurança, os criminosos acompanham os temas que estão em alta justamente porque sabem que eles podem despertar curiosidade, medo ou a sensação de urgência.

“Eles vão migrando de um tema para outro, para chamar a atenção. Por isso, a eleição funciona como mais um mote explorado em campanhas de phishing e fraude”, afirma.

O phishing é um dos golpes mais comuns na internet e consiste em tentar enganar usuários para que forneçam informações pessoais, senhas, dados bancários ou códigos de autenticação. Para isso, criminosos podem criar páginas que imitam bancos, empresas e órgãos públicos, enquanto campanhas maliciosas também podem ter como objetivo roubar credenciais e obter acesso a contas e sistemas.

De acordo com o especialista, o risco começa muitas vezes com um simples clique, especialmente quando uma mensagem promete revelar uma informação exclusiva ou urgente. “A partir desse clique, o atacante pode roubar dados, contaminar o dispositivo e, em seguida, usar o acesso conquistado para desferir outros tipos de ataque”, alerta Alberto.

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A atenção deve ser ainda maior porque o mesmo celular ou computador pode ser utilizado para atividades pessoais e profissionais. Caso um dispositivo corporativo seja comprometido, o problema pode ultrapassar a vítima e atingir uma empresa, com riscos de vazamento de informações, instalação de programas maliciosos e acesso indevido a sistemas internos.

Inteligência artificial pode tornar conteúdos falsos mais convincentes

Os golpes digitais não começaram com a inteligência artificial, mas as novas ferramentas podem tornar conteúdos falsos mais sofisticados e convincentes, permitindo a criação ou manipulação de textos, imagens, áudios e vídeos capazes de simular pessoas reais.

Um áudio pode reproduzir uma voz semelhante à de uma autoridade, por exemplo, enquanto um vídeo pode mostrar uma pessoa aparentemente fazendo uma declaração que nunca aconteceu. Esses conteúdos manipulados, conhecidos como deepfakes em alguns casos, representam um desafio especialmente durante períodos eleitorais, quando uma informação falsa pode circular rapidamente e influenciar a percepção do público.

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possui regras específicas para o uso da inteligência artificial nas eleições. A Justiça Eleitoral estabeleceu critérios para caracterizar os chamados deepfakes e também determinou a identificação de conteúdos sintéticos produzidos ou significativamente alterados por IA em determinadas situações.

Além disso, existem restrições à divulgação de novos conteúdos sintéticos criados ou alterados por inteligência artificial nos períodos próximos à votação, uma tentativa de reduzir a circulação de materiais falsos quando há menos tempo para checagem e resposta.

Ainda assim, a responsabilidade pela verificação das informações continua sendo fundamental para os usuários, já que nem todo conteúdo falso é produzido por inteligência artificial e nem todo material criado com IA tem intenção de enganar. Um vídeo verdadeiro, por exemplo, pode ser antigo, editado ou compartilhado fora de contexto.

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Por isso, apenas procurar falhas na voz ou na imagem nem sempre é suficiente. Quando um conteúdo parece polêmico ou surpreendente demais, a recomendação é buscar confirmação nos canais oficiais, em veículos jornalísticos confiáveis e em fontes primárias antes de compartilhar.

Como evitar golpes digitais durante as eleições?

Para Alberto Jorge, um dos principais cuidados é desconfiar de links recebidos por WhatsApp, SMS, e-mail ou redes sociais, mesmo quando parecem ter sido enviados por alguém conhecido, já que contas também podem ser comprometidas e utilizadas para espalhar mensagens maliciosas.

Antes de clicar, vale verificar se a informação realmente é verdadeira e se o endereço do site pertence à instituição mencionada. No caso de conteúdos relacionados às eleições, o eleitor deve priorizar os canais oficiais da Justiça Eleitoral, em vez de acessar links enviados inesperadamente por mensagens.

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Também é importante desconfiar de conteúdos que tentam provocar uma reação imediata, com frases como “veja antes que apaguem”, “informação vazada” ou “clique agora para regularizar sua situação”, estratégias que exploram a curiosidade e a urgência para fazer com que a vítima aja sem verificar a informação.

Senhas, dados pessoais e códigos de autenticação não devem ser informados em páginas acessadas por links suspeitos. Manter o celular e o computador atualizados, além de evitar aplicativos instalados fora das lojas oficiais, também ajuda a reduzir vulnerabilidades.

No caso de vídeos, imagens e áudios que envolvam candidatos, autoridades ou informações eleitorais, a recomendação é não acreditar ou compartilhar imediatamente. Antes, vale procurar a origem do conteúdo e verificar se a informação foi publicada por canais oficiais ou confirmada por fontes confiáveis.

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Salve esse checklist de principais cuidados:

  • Desconfie de links enviados por WhatsApp, SMS, e-mail e redes sociais;
  • Não clique imediatamente em mensagens que prometem informações exclusivas ou urgentes;
  • Procure informações eleitorais diretamente nos canais oficiais da Justiça Eleitoral;
  • Não informe senhas, dados pessoais ou códigos de autenticação em links suspeitos;
  • Verifique vídeos, áudios e imagens antes de compartilhar, principalmente quando envolverem candidatos ou autoridades;
  • Lembre-se de que um conteúdo pode ser falso, manipulado, antigo ou estar fora de contexto;
  • Mantenha celulares, computadores e aplicativos atualizados;
  • Em caso de dúvida, não clique e procure confirmar a informação em fontes confiáveis.

A principal recomendação, segundo o especialista, é evitar decisões impulsivas. Em um período marcado por grande volume de informações e debates acalorados, a curiosidade pode ser justamente a porta de entrada para um golpe, por isso, antes de clicar, compartilhar ou acreditar em um conteúdo, vale parar alguns minutos e verificar sua origem.