Vladimir Brichta estreia primeiro solo no teatro com trama sobre paternidade, amor e distância dos filhos

'O Menor Palco do Mundo', com Vladimir Brichta, acompanha a história de um pai que usa cartas e imaginação para se manter próximo dos filhos

Primeiro solo de Vladimir Brichta, espetáculo faz temporada em São Paulo. Foto: Julia Mataruna

Primeiro solo de Vladimir Brichta, espetáculo faz temporada em São Paulo. Foto: Julia Mataruna

Histórias podem transmitir valores, criar conexões e ajudar a atravessar momentos difíceis. Em “O Menor Palco do Mundo”, primeiro solo do ator Vladimir Brichta, contar histórias é também uma forma de enfrentar a distância e preservar vínculos.

Continua após a publicidade

O espetáculo aborda paternidade, afeto e imaginação e está em cartaz no Teatro Vivo, em São Paulo, com temporada de até o dia 31 de outubro. As sessões são às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. Os ingressos custam a partir de R$ 25 e podem ser adquiridos através da plataforma Sympla.

A montagem parte do texto do premiado autor australiano Kim Crotty e tem dramaturgia de Luiz Felipe Reis e Paula Picarelli. A direção é de Luiz Felipe Reis, enquanto a idealização do projeto é de Aura Cunha e Paula Picarelli.

Detalhes da trama

A peça apresenta a história real de Crotty, um pai que, após cometer um erro e ser preso, precisa encontrar uma maneira de continuar próximo dos filhos.

Continua após a publicidade

Da prisão, ele passa a inventar narrativas e enviá-las às crianças por meio de cartas. O que começa como um gesto de desespero se transforma em um exercício de amor e imaginação: pela palavra e pela fantasia, ele tenta atravessar a distância e reconstruir os laços com os filhos.

A escolha do texto surgiu do interesse das idealizadoras em abordar a paternidade e, principalmente, a distância que pode existir entre homens e seus filhos.

Segundo Aura Cunha e Paula Picarelli, essa distância não é apenas física, mas também emocional, e a peça toca na dificuldade que muitos homens têm de lidar com os próprios sentimentos, estabelecer vínculos e se colocar emocionalmente disponíveis para os filhos.

Continua após a publicidade

“Há algum tempo, estávamos procurando um texto que tivéssemos vontade de montar, até que a Paula leu uma matéria sobre a obra de Kim Crotty. O que nos mobilizou de imediato foi a possibilidade de falar sobre paternidade e, principalmente, sobre essa distância que muitas vezes existe entre os homens e seus filhos, uma distância que não é apenas física, mas também emocional. A peça toca na dificuldade que muitos homens têm de lidar com os próprios sentimentos, de estabelecer vínculos e de se colocar emocionalmente disponíveis para os filhos”, contam as idealizadoras.

Primeiro monólogo da carreira de Vladimir Brichta

Para Vladimir Brichta, que estreia em um espetáculo solo, a montagem também ganha um sentido pessoal a partir da relação com a distância e com a Austrália.

Tem coisas que só arte é capaz, como encurtar os espaços via afetos. Estive minha vida toda do outro lado do mundo dos australianos, imaginando, assistindo, vendo de sua cultura. Tive uma filha que visitou o país e sonhei em ter a mesma sorte um dia. Fui aconselhado pela minha agente a não estimular os filhos a irem viver na Austrália. Os filhos dela viveram lá e um deles casou e morou durante anos, para sofrimento dela por conta da saudade e da distância. Eis que já reverberava aí a peça de Kim Crotty, a nossa peça.

Vladimir Brichta diz ainda ter sido tocado pela história de um homem que precisa lidar com as consequências de um erro e, principalmente, com a distância dos filhos.

Continua após a publicidade

“Fui tocado de imediato pela premissa do espetáculo, um homem, um pai, que comete um erro e precisa pagar por ele. Mas o preço não contabilizado é a distância dos filhos que tanto ama e também uma reflexão profunda sobre paternidade e amor, sob o signo da dor da distância, mas também do lúdico do diálogo e da conexão com nossos filhos quando pequenos.”

O ator também destaca a necessidade de aproximar a história de Crotty da experiência brasileira. “Um relato tão pessoal e comovente como o de Kim só faria sentido aqui, do outro lado do mundo, se também permeado por alguma pessoalidade de quem a conta, com as particularidades de se viver no Brasil. Estou muito feliz de trazer aos palcos um relato tão afetivo de Kim Crotty e igualmente feliz de diminuir a distância geográfica em nome de algo universal como amor e paternidade”, conta.

Para o diretor Luiz Felipe Reis, o título da montagem também se relaciona com o espaço interior de cada indivíduo e com a maneira como experiências, pensamentos e emoções são elaborados.

Continua após a publicidade

“O menor palco do mundo é, para mim, aquilo que todo humano carrega em si, em seu corpo e subjetividade, desde tempos imemoriais: este nosso pequeno palco-teatro interior, repleto de vísceras, pensamentos e emoções, em que buscamos metabolizar e elaborar o que vivemos nesse imensurável teatro da vida em que estamos imersos, com todos os seus mistérios e revelações, assombro e encantamento.”

Segundo Reis, a peça nasce do encontro entre a história do autor australiano e a interpretação de um ator brasileiro, aproximando experiências marcadas pela distância entre pais e filhos.

“A peça é, por tudo isso, um conjunto de elaborações que ocorre a partir de um improvável encontro cênico entre um autor australiano e um ator brasileiro. Pais que precisam lidar, por diferentes razões, com a distância em relação a seus filhos, e a partir daí enfrentam a própria solidão, isolamento, a saudade, o vazio, a fragilidade e a impotência diante de acontecimentos menores ou maiores, até o ponto inevitável, sem escape, em que precisam olhar e adentrar o teatro das suas próprias vidas, olhar sem desvios pras suas próprias histórias, escolhas e crenças em busca, quem sabe, de uma possível transformação”, conclui o diretor.

Continua após a publicidade

Além da relação entre paternidade e distância, “O Menor Palco do Mundo” propõe uma reflexão sobre os modelos de homem transmitidos entre gerações.

Carregando enquete…

A partir das histórias contadas aos meninos desde cedo, com seus heróis, aventuras e exemplos de coragem, o espetáculo investiga uma cultura que muitas vezes associa o masculino à força e à invulnerabilidade. Nesse contexto, a montagem abre espaço para pensar também sobre o medo, a fragilidade e o afeto.

Continua após a publicidade

Para quem gosta de teatro, não deixe de conferir que “Hadestown”, sucesso da Broadway, chega ao Brasil em 2027.

Serviço – “O Menor Palco do Mundo”, com Vladimir Brichta

  • Quando? Até 31 de outubro; às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h
  • Onde? Teatro Vivo – Av. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi – São Paulo
  • Quanto? R$150 (inteira), R$75 (meia-entrada), R$50 (ingressos populares – inteira) e R$25 (ingressos populares – meia-entrada)
  • Duração: 80 minutos
  • Classificação indicativa: 14 anos