Tem dias em que o trabalho parece um verdadeiro inferno. Para Rafael Maidl, essa sensação foi tão forte que acabou virando literatura, e ganhou até uma empresa responsável por administrar o lugar.
É nesse cenário que nasceu “Lentigo e o Gato”, livro que transforma experiências relacionadas ao mercado de trabalho em uma história de fantasia, com um detalhe que muda completamente o clima: os gatos.
A ideia surgiu de um sentimento bastante humano. Depois de passar anos em um ambiente profissional que considerava tóxico e que lhe fazia mal, Rafael pensou no que poderia fazer com aquela experiência.
“Vou colocar eles no inferno”, contou durante entrevista à Gazeta de São Paulo.
Foi assim que surgiu a Inferno S.A., uma empresa que administra o inferno dentro da história.
Quando o trabalho vira o próprio inferno
No centro da trama está Lentigo, um funcionário do setor de logística que começa a tentar entender o lugar onde trabalha e, principalmente, perceber que aquele ambiente não precisa representar tudo o que existe em sua vida.
A história parte justamente dessa sensação de estar preso à rotina profissional.
Segundo Rafael, o livro nasceu como uma forma de transformar o que sentia em algo maior. A obra foi escrita originalmente cerca de 10 anos atrás, mas passou por uma adaptação para incorporar um novo elemento à narrativa: o universo dos gatos.
A mudança também tem relação com a própria trajetória dos autores. Eles passaram a trabalhar na internet com seus gatos e levaram parte dessa experiência para dentro da história.
E quem consegue quebrar esse inferno?
Na narrativa, a relação entre humanos e gatos ganha um papel especial. A pergunta que guiou essa parte da história é simples: o que seria capaz de quebrar aquele inferno?
A resposta encontrada pelos autores passa justamente pela relação entre uma pessoa e um animal.
A convivência com os gatos também ajudou a aproximar a obra da rotina dos próprios criadores, fazendo com que o universo felino deixasse de ser apenas um detalhe e passasse a fazer parte da construção do livro.
Um livro feito de forma independente
“Lentigo e o Gato” também nasceu longe de uma grande estrutura editorial. A produção foi realizada de maneira independente, com uma editora que trabalha com publicações por meio do Catarse.
Para viabilizar o projeto, os autores fizeram uma campanha de crowdfunding, buscando apoio coletivo para produzir o livro. A construção das ilustrações também passou por contatos próximos.
Uma das ilustradoras era amiga de Rafael desde o ensino médio, e a equipe buscou profissionais cujo trabalho já conhecia para desenvolver a identidade visual da obra.
A parte profissional também ficou por conta de alguém próximo.
Jackson dos Anjos, publicitário e marido de Rafael, foi responsável pelo material promocional do livro, ajudando a levar para a divulgação a experiência que os dois já tinham com a produção de conteúdo na internet e com o universo dos gatos.
Da internet para a Bienal
Antes de chegar à Bienal, os autores já trabalhavam na divulgação do projeto nas redes socias.
Como já atuavam como criadores de conteúdo, uma das estratégias foi aproximar o público que acompanhava o trabalho na internet da literatura, tentando transformar esses seguidores em leitores.
A divulgação também passou por diferentes feiras e eventos, tanto literários quanto ligados ao universo dos gatos. A participação na Bienal surgiu como mais uma oportunidade para apresentar o livro ao público.
Os autores aproveitaram espaços criados para editoras, escritores independentes e pequenas tardes de autógrafos durante o evento. A ideia é usar esses encontros para divulgar a obra e, ao mesmo tempo, criar momentos de proximidade com quem acompanha o trabalho.
E os gatos continuam na próxima história
O universo felino também deve continuar presente nos próximos projetos. Durante a entrevista, Rafael contou que já começou a desenvolver outras duas ideias de livros, sendo uma delas está mais avançada.
A proposta continua ligada aos gatos, mantendo o público que acompanha esse universo como parte importante dos próximos trabalhos. A expectativa é continuar divulgando os novos livros em futuras edições da Bienal.





