Walerie Gondim será Gal Costa em musical sobre a cantora

Com direção de Marília Toledo e Kleber Montanheiro, espetáculo 'Gal, o Musical' atravessa momentos marcantes na trajetória de Gal Costa

Ingressos para 'Gal, o Musical' custam a partir de R$ 25

Ingressos para 'Gal, o Musical' custam a partir de R$ 25 | Edgar Machado/Divulgação

Idealizado por Marília Toledo, “Gal, o Musical” estreia no dia 6 de março de 2026, no 033 Rooftop, em São Paulo, e propõe uma travessia sensível, musical e profundamente humana pela vida e pela obra de Gal Costa (1945 – 2022), uma das maiores vozes da música popular brasileira, figura central do Tropicalismo e símbolo de liberdade artística e feminina.

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E, nesta segunda-feira (12/1) a produção do espetáculo revelou a atriz escolhida para desempenhar o papel da cantora: Walerie Gondim. Nascida em Manaus e radicada na Bahia, a jovem artista foi selecionada por meio de audições realizadas em Salvador, uma iniciativa dos diretores da montagem, Marília Toledo e Kleber Montanheiro, para valorizar talentos locais e ampliar as oportunidades para além do eixo Rio – São Paulo, cidades onde quase todas as audições para musicais profissionais ocorrem.

Conheça a história de “Gal, o Musical”

Com texto assinado por Marília Toledo e Emílio Boechat, o espetáculo biográfico parte da infância de Maria da Graça Costa Penna Burgos, nascida em 26 de setembro de 1945, para revelar como aquela menina baiana se tornaria não apenas a chamada “musa da Tropicália”, mas uma das figuras mais relevantes da cultura brasileira, reconhecida internacionalmente, inclusive com sua eleição como uma das dez maiores vozes femininas do mundo pela revista norte-americana Time.

A narrativa acompanha episódios marcantes da vida de Gal, como a relação com a mãe-solo Mariah, a amizade e o início da carreira ao lado de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Tom Zé, no Teatro Vila Velha, em Salvador, a parceria com o empresário Guilherme Araújo, e momentos decisivos de sua vida pessoal.

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Esses acontecimentos são costurados por um repertório que reúne sucessos eternizados na voz da “musa da Tropicália”, como “Força Estranha”, “Baby”, “Divino Maravilhoso”, “Vaca Profana”, “Azul”, “Vapor Barato”, “Sorte”, “Brasil” e “Balancê”, entre outros.

No espetáculo, as canções funcionam como uma extensão emocional da dramaturgia, expressando sentimentos, conflitos e transformações da artista ao longo do tempo.

“A música não entra como ilustração, mas como linguagem dramatúrgica. As canções ajudam a contar a história de forma mais sensorial e menos explicativa”, explica Marília Toledo.

Dramaturgia

A pesquisa dramatúrgica para a criação do musical começou em janeiro de 2024, a partir da leitura do livro “A Todo Vapor – O Tropicalismo Segundo Gal”, de Taissa Maia, obra que propõe uma reavaliação do papel da cantora dentro do movimento tropicalista.

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“Depois de ter escrito e dirigido biografias de artistas homens (“Silvio Santos Vem Aí” e “Ney Matogrosso – Homem com H”), senti a necessidade de criar uma obra com uma protagonista feminina. A história de Gal é a que mais dialoga com a minha essência”, afirma Marília Toledo.

Outro pilar conceitual do musical é o livro “A Jornada da Heroína”, da psicóloga junguiana Maureen Murdock, que propõe um arco narrativo feminino distinto do tradicional percurso masculino do herói. A equipe também contou com a colaboração do pesquisador Tallys Braga, então envolvido na escrita de uma biografia oficial da artista.

Segundo Emílio Boechat, a escolha estética e dramatúrgica foi clara desde o início. “A pesquisa da Taissa Maia defende que o papel de Gal na Tropicália foi muito maior do que a imprensa machista e patriarcal da época reconheceu. A partir disso, entendemos que o musical precisava assumir um viés feminista, psicológico e profundo, em vez de apenas relatar cronologicamente sua trajetória artística.”

Inspiração para a cenografia

A cenografia, assinada por Carmen Guerra, transforma o 033 Rooftop em uma ocupação imersiva, utilizando o espaço de forma integrada à cena. A inspiração vem das instalações de Hélio Oiticica, criando ambientes sugeridos, dinâmicos e inventivos, que dialogam com os diferentes momentos da narrativa.

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Os figurinos, criados por Kleber Montanheiro, atravessam a segunda metade do século XX, acompanhando as transformações estéticas de cada período. A paleta cromática evolui ao longo do espetáculo, com cores sólidas e multicoloridas, bordados e estampas, funcionando como uma camada adicional de dramaturgia visual.

Na direção musical, Daniel Rocha trabalha a partir dos arranjos originais das canções de Gal, com adaptações para a cena. A encenação incorpora ainda referências ao Candomblé, ao canto e às danças dos Orixás, além de manifestações da cultura popular brasileira.

Por fim, a coreografia, assinada por Semadha S Rodrigues, inclui também o uso de LIBRAS, ampliando a dimensão sensorial do espetáculo e conectando gesto, música e mensagem.

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Para quem gosta de cultura brasileira, outro musical, este já em cartaz, homenageia um dos maiores marcos na carreira de Gilberto Gil, a canção “Domingo no Parque”.