A camisa azul da seleção brasileiro se tornou alvo de polêmica pelo design considerado ousado demais e há muita gente que desaprovou o modelo. A peça, porém, tem uma história vitoriosa, e abriu o caminho para o Brasil ser considerado o país do futebol.
Em 1958, na Copa da Suécia, a seleção nacional enfrentaria os donos da casa na finalíssima. Só que os jogadores estavam aflitos, alguns quase aos prantos, dois dias antes da partida.
Como as cores dos uniformes coincidiam, um sorteio decidiu que os donos da casa iriam a campo de amarelo. Como o Brasil não tinha outro uniforme oficial, houve indefinição sobre a cor da camisa a ser usada no duelo. Para os jogadores, supersticiosos, certamente um sinal de mau agouro.
O chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, percebeu o abatimento e procurou alguma solução para animar os atletas. Nos céus. Trancou-se no quarto e, diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida, começou a rezar. Daí deu o estalo.
O cartola seguiu de imediato à concentração e, com todos os jogadores a sua frente, disse com voz serena e segura: “Está decidido: vamos jogar de azul, a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida. Ela vai dar a força que precisamos para ganhar o título”.
O entusiasmos foi geral, e a nova camisa foi encomendada às pressas a uma confecção sueca. Os números e distintivos foram costurados pelo massagista Mário Américo e pelo roupeiro Francisco Alves durante a viagem de trem de Gotemburgo, onde time jogou a semifinal contra a França, para Estocolmo.
Na grande final, os suecos mal viram a cor da bola. Foram goleados por 5 a 2, e o mundo passou a conhecer os garotos Pelé e Garrincha. De azul, o Brasil conquistou o primeiro dos cinco títulos mundiais.
