A Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, México e Canadá enfrenta algumas turbulências políticas antes mesmo da bola rolar.
O motivo central é a tensão diplomática envolvendo o presidente norte-americano Donald Trump e suas ambições sobre a Groenlândia, e os recentes ataques ao Irã. Alguns parlamentares, como o alemão Jürgen Hardt, sugerem que um boicote ao torneio pode ser o “último recurso” para pressionar o governo norte-americano.
Embora pareça uma medida extrema, a história dos mundiais abriga histórias de seleções que já abriram mão da disputa por razões ideológicas e políticas. Relembre alguns dos casos mais emblemáticos.
Grã-Bretanha esnoba a Fifa (1930 e 1934)
Nas primeiras edições, os britânicos (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) simplesmente ignoraram a Fifa, maior entidade do futebol mundial e organizadora da Copa do Mundo.
Eles acreditavam que seu campeonato local era superior ao mundial e só se integraram à entidade em 1946.
A vingança do Uruguai (1934 e 1938)
O Uruguai, primeiro campeão do mundo, em 1930, detém um recorde amargo: é a única seleção a não defender seu título na edição seguinte.
Em 1934, a Celeste se recusou a viajar para a Itália em retaliação ao baixo número de europeus que vieram à América do Sul em 1930.
Em 1938, uruguaios, desta vez junto dos argentinos, boicotaram juntos a Copa na França, protestando contra a falta de alternância de sedes entre os continentes.
O mito dos pés descalços da Índia (1950)
A Índia desistiu de disputar a Copa de 1950, realizada no Brasil. Porém, a lenda popular de que a Índia desistiu por não poder jogar descalça é mentirosa, pois a realidade foi burocrática.
Apurações da época apontam que as autoridades indianas da época simplesmente não consideravam a Copa do Mundo um torneio importante o suficiente para o investimento, que seria muito elevado para o país.
Boicote de trio europeu à Copa no Brasil
Ainda na primeira Copa em território brasileiro, três nações europeias recusaram comparecer.
- França: não gostou da tabela, que faria a equipe ter longas viagens para a realização das partidas.
- Portugal e Irlanda: recusaram o convite alegando que foram chamados muito em cima da hora e não teriam logística para se planejar adequadamente.
Tensões geopolíticas de Turquia, Indonésia, Egito e Sudão contra Israel
Em 1958, Turquia, Indonésia, Egito e Sudão se recusaram a enfrentar Israel nas eliminatórias por questões políticas, fazendo com que a seleção israelense se classificasse sem entrar em campo — o que forçou a Fifa a criar uma repescagem contra o País de Gales para validar a vaga.
Recusa do continente africano (1966)
Ocorreu o maior boicote da história, quando 15 nações africanas desistiram em bloco. Elas protestavam contra a decisão da Fifa de oferecer apenas uma vaga para ser dividida entre África, Ásia e Oceania, além de denunciarem a reintegração da África do Sul, que vivia sob o regime do Apartheid.
O ‘jogo fantasma’ do Chile após recusa da URSS (1974)
Em plena Guerra Fria, a União Soviética se recusou a viajar ao Chile para a repescagem da Copa de 1974.
O boicote foi um protesto contra o golpe militar de Augusto Pinochet. Sem adversário, o time chileno entrou em campo sozinho, marcou um gol simbólico e garantiu a classificação após o apito final.


