No dia 30 de julho de 1930, o Estádio Centenário, em Montevidéu, recebeu a primeira final de Copa do Mundo da história.
O confronto entre Uruguai e Argentina carregava uma rivalidade intensa, vinda da final olímpica de 1928. No entanto, um detalhe técnico quase impediu o início da partida: o desacordo sobre qual bola os jogadores utilizariam no gramado.
O impasse das ‘redondas’ na final da Copa de 1930
Naquela época, a FIFA ainda não padronizava o equipamento oficial do torneio. Consequentemente, cada seleção defendia o uso do modelo com o qual treinava habitualmente.
A Argentina insistia na “Tiento”, uma bola mais leve e de comportamento veloz. Por outro lado, o Uruguai exigia o uso do “T-Model”, uma esfera mais pesada e robusta.
Como nenhum dos finalistas aceitava ceder, o clima de tensão subiu de tom nas horas que antecederam o apito inicial.
Para resolver o conflito, o árbitro belga John Langenus tomou uma decisão inédita: ele utilizou um sorteio na moeda para definir a ordem das bolas.
Ficou decidido que a final da Copa de 1930 rolaria com a bola argentina no primeiro tempo, enquanto a uruguaia entraria em campo na etapa final.
Primeiro tempo: domínio argentino
Com o uso da sua bola preferida nos primeiros 45 minutos, os argentinos demonstraram maior conforto técnico.
Embora o uruguaio Pablo Dorado tenha aberto o placar aos 12 minutos, a Argentina reagiu prontamente. Carlos Peucelle empatou o jogo e Guillermo Stábile virou o marcador pouco depois.
Assim, a equipe visitante foi para o intervalo vencendo por 2 a 1, alimentando a esperança de conquistar o título em solo adversário.
Segundo tempo: a virada uruguaia
Na segunda metade do confronto, a organização trocou a bola pelo modelo uruguaio.
A partir desse momento, a seleção da casa assumiu o controle total das ações. José Pedro Cea empatou a partida aos 12 minutos do segundo tempo.
Pouco depois, Victoriano Santos Iriarte acertou um chute surpreendente de 30 metros de distância e colocou o Uruguai na frente.
Faltando apenas um minuto para o término, Héctor Castro consolidou a vitória com um gol de cabeça. O placar final de 4 a 2 garantiu ao Uruguai o primeiro título mundial, motivo pelo qual o governo declarou feriado nacional no dia seguinte.
Além da bola: clima de guerra
Apesar da influência técnica do equipamento, outros fatores pesaram no resultado final. Jogadores argentinos relataram um ambiente de extrema intimidação.
O craque Luis Monti revelou que recebeu ameaças de morte contra ele e sua família antes do jogo, o que o deixou aterrorizado em campo.
Além disso, Francisco Varallo, o último sobrevivente daquela final, mencionou anos depois que vários companheiros sentiam medo de morrer caso vencessem a partida em Montevidéu.
Somado a isso, o goleiro argentino Botasso jogou parte do segundo tempo com uma lesão na costela após um choque com “Manco” Castro, o que dificultou a defesa no terceiro gol uruguaio.






