Uma luxuosa mansão com 11 suítes, piscina, heliponto e até uma cachoeira que deságua no mar virou motivo de disputa entre o jogador Richarlison e um advogado próximo de Flávio Bolsonaro (PL). Avaliada em cerca de R$ 10 milhões, a propriedade fica em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e agora entrou também na mira de uma deputada ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Na quinta-feira (22), a deputada estadual Marina do MST (PT-RJ) anunciou que pretende ocupar a propriedade e transformá-la em um centro de formação para jovens de comunidades tradicionais. A parlamentar defende que o espaço tenha uma finalidade pública, em vez de continuar no centro da disputa.
A polêmica, no entanto, começou anos antes. Richarlison afirma que investiu milhões na propriedade e perdeu os direitos que reivindicava após decisões judiciais favoráveis a uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz. O atacante acusa Tomaz e Flávio Bolsonaro de participação em uma manobra para retirar sua posse, enquanto os dois negam irregularidades.
Entenda a disputa envolvendo Richarlison
Tudo começou em 2020, quando Richarlison participou, por meio de empresas e sócios, da negociação de uma mansão na Ilha Comprida, localizada na Baía da Ribeira, em Angra dos Reis.
O imóvel reúne estruturas de alto padrão, incluindo praia de acesso privativo, quadra de tênis, piscina, heliponto e uma cachoeira próxima à residência.

Segundo o jogador, o investimento na aquisição, nas reformas e em outras despesas chegou a aproximadamente R$ 10 milhões. Ele afirma que regularizava a situação da propriedade quando surgiram interessados em comprá-la.
Entre eles estaria o próprio Flávio Bolsonaro, conforme o relato do atleta. Richarlison diz que recusou a proposta e, posteriormente, perdeu os direitos sobre o imóvel.
A questão envolve um detalhe: o terreno pertence à União. Por isso, o conflito não se resume à compra de uma casa, mas inclui a validade dos direitos de ocupação e das transferências registradas na Secretaria do Patrimônio da União (SPU).
O atacante, que ganhou destaque com a Seleção Brasileira e conquistou a Liga Europa pelo Tottenham, voltou a repercutir nas redes sociais pelo assunto fora de campo.
Afinal, com quem ficou com a mansão?
Em 2022, a SPU transferiu o cadastro de ocupação do imóvel para a WT Administração de Imóveis, empresa ligada a Willer Tomaz.
O grupo ligado a Richarlison contestou a transferência na Justiça. Entretanto, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro proferiu decisões favoráveis à empresa de Tomaz, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve esse entendimento em 2025.

Posteriormente, a empresa que reivindicava os direitos ligados ao jogador desistiu da ação, encerrando aquele processo.
A disputa também chegou às redes sociais. No mês de outubro, Richarlison publicou uma série de vídeos questionando a regularidade da transferência e mostrando documentos que, segundo ele, comprovam a aquisição.
O advogado respondeu e contestou a validade dos papéis apresentados. A divergência envolve, principalmente, a identificação de quem tinha o direito de transferir a ocupação do imóvel.
Qual a ligação com Flávio?
O nome de Flávio Bolsonaro entrou na polêmica pela amizade com Willer Tomaz e pelas acusações feitas publicamente pelo atacante.
Richarlison afirma que o senador demonstrou interesse em adquirir a propriedade antes da disputa judicial. Também questiona a rapidez com que a empresa do advogado conseguiu regularizar os direitos de ocupação.
Flávio Bolsonaro nega ter comprado, vendido ou intermediado o imóvel. Sua defesa sustenta que ele não participou da negociação e que apareceu no processo apenas como testemunha.

O senador não figura como parte na disputa judicial entre as empresas.
Por sua vez, Tomaz afirma que adquiriu os direitos legalmente e acusa os antigos vendedores ligados à negociação de Richarlison de não possuírem título válido.
O advogado também recorreu à Justiça para questionar publicações do jogador sobre o caso. Em agosto, um juiz negou o pedido urgente para restringir essas manifestações.
MST anuncia plano de ocupação
A disputa ganhou um novo capítulo na quinta-feira (22), quando Marina do MST anunciou a intenção de ocupar a área.
A parlamentar apresentou a proposta durante uma passagem por Angra dos Reis, onde participou de um ato estudantil.
Segundo ela, a ideia é pressionar pela destinação do espaço a um centro de formação para jovens de povos tradicionais da Costa Verde, com uma parceria proposta à Universidade Federal Fluminense (UFF).

Não há, contudo, confirmação de que a ocupação já tenha ocorrido ou de que a universidade tenha formalizado sua participação no projeto.
A propriedade está em uma das regiões turísticas mais conhecidas do Rio de Janeiro. Com dezenas de ilhas e residências de alto padrão.
O que acontece agora?
A disputa judicial anterior teve resultado favorável à empresa ligada a Willer Tomaz, mas Richarlison continua questionando publicamente os acontecimentos.
Em 21 de outubro, o jogador divulgou novos documentos em resposta a um desafio do advogado. As duas partes mantêm versões diferentes sobre a legitimidade da transferência dos direitos de ocupação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também afirmou ter solicitado à Polícia Federal uma apuração sobre o caso. A declaração, porém, não significa que as acusações estejam comprovadas.
Agora, o anúncio de Marina do MST acrescenta outra discussão: a possibilidade de destinar a área a um projeto de formação comunitária.
Por enquanto, a mansão permanece no centro de um conflito entre direitos de ocupação, acusações públicas e uma proposta de mobilização social. A ocupação anunciada ainda não se concretizou, e não há confirmação de uma nova decisão que altere a situação jurídica do imóvel.






