O futebol é capaz de criar conexões improváveis que desafiam o tempo e a geografia. E foi isso o que aconteceu com Josimar Higino Pereira, ex-lateral do Botafogo e da Seleção Brasileira, um dos destaques da Copa do Mundo de 1986.
Mesmo quatro décadas após aquele Mundial, a história do atleta continua a ressoar não apenas na memória dos brasileiros, mas como um símbolo de culto em lugares tão distintos quanto a Noruega e o arquipélago de Cabo Verde.
De ‘quebra-galho’ a ícone cult: o fenômeno de 1986
Josimar chegou ao México em 1986 como um desconhecido para o mundo, convocado às pressas após o corte do titular Leandro.
No entanto, ele retornou com o status de ídolo cult após marcar dois dos gols mais plásticos da história dos Mundiais.
Um deles foi em um chute violento contra a Irlanda do Norte e uma jogada individual memorável contra a Polônia, driblando dois marcadores e finalizando sem ângulo.
Eleito o melhor lateral-direito daquele torneio, Josimar personificou a alegria do jogo, uma característica que atravessou fronteiras.
Idolatria na Noruega: a Revista ‘Josimar‘
O impacto de Josimar foi tão profundo no norte da Europa que, em 2009, um grupo de jornalistas noruegueses fundou uma das revistas de futebol mais populares do país com o nome do brasileiro.
Marius Lien, um dos fundadores da publicação, explica que a escolha foi uma homenagem ao estilo de ataque e às celebrações vibrantes do lateral.
Para os noruegueses, Josimar representa uma antítese ao “mau humor” de alguns craques modernos.
A veneração é tamanha que o ex-jogador já foi homenageado pessoalmente no país e chegou a negociar participações como comentarista para emissoras locais.
Desta forma, o nome do brasileiro se tornou, na Noruega, sinônimo de excelência jornalística esportiva.
Conexão com Cabo Verde: Josimar virou nome do goleiro Vozinha
A influência de Josimar chegou também à África.
Na Copa do Mundo de 2026, o mundo conheceu o goleiro Vozinha, peça fundamental da histórica campanha de Cabo Verde e que tem como nome de batismo Josimar José Évora Dias.
A escolha foi feita por seu pai, Zé Pedro, um militar cabo-verdiano que se encantou com a atuação do lateral brasileiro enquanto servia na Ilha de Santiago em 1986.
Curiosamente, a primeira opção do pai seria homenagear o argentino Jorge Valdano, mas as regras locais de registro em Cabo Verde na época não permitiram. O nome Josimar foi a segunda opção e acabou aceito, selando o destino do futuro goleiro.
Quem é Vozinha e por que o apelido?
Apesar de carregar o nome do craque brasileiro, o goleiro de 40 anos é mundialmente conhecido por seu apelido carinhoso.
Criado pelos avós em Mindelo, o menino Josimar jogava bola com os mais velhos e, ao sofrer faltas ou perder, voltava para casa “bravo” para reclamar com seus protetores.
Os amigos começaram a zombar, dizendo que ele estava indo “pedir socorro para a vozinha”.
Este fato acabou consolidando o apelido que ele carrega até hoje na camisa do Chaves, de Portugal, e da sua seleção.
Josimar e seu legado
A trajetória de Josimar demonstra que o impacto de um atleta vai muito além de suas estatísticas.
Seja dando nome a uma revista de prestígio na Noruega ou inspirando o nome de um herói nacional em Cabo Verde, o brasileiro de 1986 permanece como uma prova viva de que o futebol bem jogado e celebrado com sorriso no rosto é uma linguagem universal.



