No segundo semestre de 2011, o Santos vivia a euforia do título da Libertadores e preparava o elenco para o Mundial de Clubes da Fifa, no Japão. O então presidente do clube, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, decidiu criar uma estratégia de marketing sem precedentes: inscrever Pelé, o maior ídolo da história alvinegra, na competição oficial.
A ideia buscava unir o brilho de jovens estrelas como Neymar e Ganso à mística do Atleta do Século.
Uma estratégia de marketing ousada
O dirigente santista apresentou a proposta durante reuniões do Conselho e conversas informais com a imprensa.
Segundo o plano, Pelé utilizaria a camisa número 1000 no Mundial de Clubes, preservando a 10 para Paulo Henrique Ganso.
Além disso, Luis Álvaro imaginava que a simples presença do Rei no banco de reservas intimidaria adversários como o Barcelona.
O mandatário chegou a sugerir que Pelé entrasse em campo por apenas cinco minutos ou apenas para cobrar um pênalti decisivo, caso o placar estivesse favorável.
A motivação por trás do ‘tri único’
O grande combustível para essa iniciativa residia no desejo de transformar Pelé no único jogador da história a conquistar o tricampeonato mundial tanto por clubes quanto por seleções.
O Rei já ostentava as glórias de 1962 e 1963 pelo Peixe, além das Copas de 1958, 1962 e 1970 pelo Brasil. Portanto, um novo título no Japão selaria um recorde absoluto e inalcançável para qualquer outro atleta.
Rei recusa o projeto
Apesar do entusiasmo da diretoria, a realidade física impunha barreiras intransponíveis. Naquela época, Pelé estava prestes a completar 71 anos e não treinava profissionalmente há décadas.
Em outubro de 2011, durante uma passagem por Porto Alegre, o ex-jogador deu um ponto final às especulações.
O ídolo afirmou categoricamente que não possuía condições físicas de participar do torneio, recusando inclusive o papel de embaixador dentro do gramado.
Além disso, Pelé criticou o fato de o presidente ter divulgado a consulta ao público antes de conversar formalmente com ele.
“Jogar? Por enquanto não. Talvez, se tiver em condições, dar o pontapé inicial”, declarou o Rei, encerrando a fantasia publicitária que agitou os bastidores do futebol naquele ano.
Naquela ocasião, o Peixe acabou com o vice-campeonato, perdendo a decisão para o Barcelona, de Lionel Messi, por 4 a 0.







