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Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo
Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo
Foto: Divulgação Governo do Estado de São Paulo

São Paulo entra na corrida pela vacina contra o novo coronavírus

Além do Instituto Butantan, Unifesp e USP desenvolvem vacinas contra a Covid-19

O governador João Doria (PSDB) anunciou com pompa na semana passada uma parceria entre o Instituto Butantan e o laboratório chinês Sinovac Biotech para o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus até junho de 2021. Além do Butantan, há pelo menos outras duas instituições do Estado envolvidas em estudos de vacinas contra a Covid-19: a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O acordo anunciado por Doria prevê teste em nove mil voluntários brasileiros. “Comprovada a eficácia e a segurança da vacina, o Instituto Butantan terá o domínio da tecnologia, e a vacina poderá ser produzida em larga escala no Brasil”, afirmou. Porém há uma série de fatores para serem considerados antes da eventual produção da vacina em São Paulo. O contrato está sob sigilo

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Um dos fatores é o curto tempo de desenvolvimento do imunizante antes do lançamento. De acordo com o infectologista e clínico médico Marcelo Ducroquet, professor do curso de Medicina da Universidade Positivo, 12 meses para se desenvolver uma vacina é algo inédito, e não haveria tempo de analisar os efeitos colaterais do produto

“Em um ano, por mais esforço que tenha, por mais recursos que se aplique, não é possível dizer que não existem efeitos colaterais a longo prazo”, afirmou à Gazeta.

Ele lembra, como exemplo, que os estudos para a vacina contra a dengue duraram 15 anos e, quando o produto final chegou ao setor comercial, os responsáveis encontraram novos problemas. “Todas as vacinas dos últimos 20 anos tiveram mais de 10 anos em desenvolvimento”.

Segundo o médico, o estudo mais avançado entre os três é o da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que escolheu a Unifesp para testar a eficácia da vacina no Brasil. O motivo principal é que a vacina já está sendo desenvolvida há alguns anos para outro coronavírus, e ter sido adaptada para o novo coronavírus. A vantagem do estudo do laboratório chinês, por sua vez, é ter uma tecnologia mais conhecida.

Já o estudo da USP, que pretende lançar um imunizante na forma de spray nasal, tem a possibilidade de começar a ser testado em animais em setembro. O produto não tem prazo para lançamento.

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Arte: Gazeta de S. Paulo - Arte: Gazeta de S. Paulo

OMS espera vacina ainda em 2020.

A expectativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) é ter “algumas centenas de milhões de doses” de uma vacina para a Covid-19 até o fim de 2020. A afirmação foi feita pela cientistachefe da OMS, Soumya Swaminathan, nesta semana.

De acordo com ela, nenhuma vacina foi aprovada até agora, mas há cerca de 10 sendo testadas.

“Há pelo menos 200 vacinas candidatas em algum estágio de desenvolvimento. Mas há 10 sendo testadas em humanos. Três dessas estão entrando em fase 3 [a última] nas próximas semanas”, afirmou Swaminathan.

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