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Apresentado nos Estados Unidos

Cientistas da USP desenvolvem 'waze' da poluição para guiar motoristas por SP

Dispositivo foi desenvolvido na Faculdade de Saúde Pública e no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas e apresentado no início do mês

Nilson Regalado

Publicado em 19/04/2024 às 17:50

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SP tem trânsito acima da média devido a greve / Arquivo/Agência Brasil

Pesquisadores da Universidade de São Paulo apresentaram no início deste mês, abril, uma tecnologia que promete revolucionar a forma como motoristas e motociclistas se deslocam por São Paulo. O novo ‘app’ cruza dados que apontam as rotas com maior concentração de poluentes em tempo real, oferecendo ao usuário a chance de escolher roteiros com menor volume de tráfego e, ao mesmo tempo, menos poluídos.

Apresentado nos Estados Unidos

O ‘waze’ da poluição foi desenvolvido por cientistas da Faculdade de Saúde Pública (FSP) e do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. O dispositivo foi apresentado nesta semana em Illinois, nos Estados Unidos, durante evento sobre cidades inteligentes e deverá estar disponível nos próximos anos.


Em São Paulo, por meio de equipamentos portáteis como contadores de partículas a laser e aparelhos de GPS instalados em carros, pesquisadores do IAG e da FSP estão medindo e obtendo dados georreferenciados da concentração de material particulado a que motoristas e passageiros estão expostos em diferentes trajetos e horários.


“Com base nos dados coletados durante esses estudos conseguimos construir mapas e identificar quais regiões da cidade têm maior concentração de poluentes”, resume Thiago Nogueira, professor da FSP.


Os pesquisadores realizaram um estudo em que avaliaram a exposição a poluentes atmosféricos durante deslocamentos por meio de diferentes tipos de transporte em São Paulo – incluindo carro, ônibus, metrô e bicicleta – e regiões da cidade.

Zona Oeste possui maior concentração

E os resultados revelaram que os moradores da Zona Oeste da Capital estão expostos a uma concentração maior de um poluente atmosférico chamado carbono negro. Já as com melhores condições de qualidade do ar foram aquelas que apresentavam maior concentração de áreas verdes.

Em contrapartida, as regiões com qualidade intermediária do ar tinham maior presença de edifícios altos. “Vimos que os prédios altos desfavorecem a dispersão da poluição do ar”, explica Nogueira.

Por meio de um projeto internacional que contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp), os pesquisadores também mediram os níveis de exposição a material particulado em dez cidades globais, incluindo São Paulo.

Os resultados do estudo indicaram que a exposição aos poluentes fora do horário de pico de trânsito foi 40% menor pela manhã e 91% menos durante a noite. E os maiores índices de exposição a altas concentrações de material particulado foram registrados em situações em que o carro estava com as janelas abertas.

Maiores vítimas são motoristas e passageiros de ônibus

Outra constatação feita por meio do estudo foi que os motoristas e passageiros de ônibus em São Paulo estão expostos a níveis mais altos de poluentes atmosféricos do que os usuários de carro e de metrô.

Mas, os cientistas constataram que os níveis de exposição atmosférica nos meios de transporte em São Paulo foram menores do que os registrados nas outras nove cidades participantes, localizadas na África, na Ásia e na América do Sul.

“Apesar da cultura de que São Paulo é uma cidade muito poluída, na comparação com outros países observamos que os níveis de exposição a material particulado na Capital Paulista são mais baixos”, salienta Nogueira.

Algumas das razões para essa diferença são os combustíveis utilizados no Brasil. Aqui, é possível usar os biocombustíveis para abastecer os veículos, que são mais ‘limpos’ em comparação aos adotados nos países das outras nove cidades participantes. Além disso, a matriz energética brasileira tem maior participação de fontes renováveis, completa Nogueira.

“As cidades inteligentes usam tecnologias de informação inovadoras para coletar dados que são usados para construir e operar sistemas urbanos conectados com o objetivo de melhorar a eficiência e aumentar a sustentabilidade e a resiliência”, disse Teresa Córdova, diretora do Great Cities Institute, da Universidade de Illinois em Chicago.

Transportes urbanos trazem mais poluição

Atualmente, 70% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no mundo são provenientes das cidades, sendo que quase a metade é originada dos transportes urbanos, em maior parte, pelos carros de transporte privativo, sublinha Mariana Giannotti, professora da Escola Politécnica da USP (Poli-USP) e coordenadora de transferência tecnológica do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da Fapesp.

“Nesse sentido, o transporte público representa uma ótima estratégia para enfrentar questões relacionadas à sustentabilidade”, avalia a pesquisadora.

São Paulo, Nova York e Londres

Por meio de um estudo realizado no âmbito do CEM, a pesquisadora e colaboradores compararam o acesso ao transporte público em São Paulo, Nova York e Londres com base no tempo de viagem dos usuários e no custo das passagens.

E os resultados indicam que Nova York possui uma política de integração que é justa e contribui para aliviar a desigualdade no acesso ao transporte público da população. Já em São Paulo a situação é diferente.

“Em São Paulo, a desigualdade está sendo reforçada pela forma como é cobrada a tarifa dos usuários de transporte público. Normalmente, as pessoas gastam, em média, entre 20% e 40% de sua renda na cidade com essa finalidade, enquanto os moradores de Nova York despendem entre 5% e 10%”, compara Mariana.

Os maiores usuários de ônibus em São Paulo são pessoas de classes econômicas mais baixas, principalmente negros, relata a pesquisadora. “As pessoas ricas, que vivem nos melhores lugares da capital paulista, têm acesso a transporte público de melhor qualidade e estão pagando menos”, conclui Mariana. 

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