Memória: a história de Higienópolis, o bairro da ‘casa abandonada’

Bairro é tido como um dos mais antigos da cidade e o primeiro a contar com esgoto e encanamento doméstico

Vista aérea de São Paulo

Vista aérea do bairro de Higienópolis | Rubens Chaves/Folhapress

Recentemente, o bairro de Higienópolis ganhou as páginas dos jornais por conta do podcast “A Mulher da Casa Abandonada”, do jornalista Chico Feliti. Contudo, o bairro que abriga a história do momento já foi palco de outros eventos marcantes, desde seus primeiros registros, ainda no século 16.

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A região de Higienópolis surgiu da sesmaria do Pacaembu, cedida aos jesuítas por Martim Afonso de Souza. Em 1760, porém, os religiosos foram expulsos de Portugal e também de suas colônias e as terras foram confiscadas e divididas em chácaras e lotes.

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Em 1890, os empreendedores alemães Martin Buchard e Victor Nothmann compraram alguns desses lotes e resolveram fundar ali o “Boulevard Bouchard”, um dos primeiros bairros planejados da capital paulista de alto padrão, que tinha como um de seus atrativos o fato de ter água e esgoto, o que mais tarde justificaria o nome do local: Higienópolis (cidade ou lugar de higiene).

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Palacete Veridiana da Silva Prado  Higienópolis  httpscommons.wikimedia
Palacete Veridiana da Silva Prado, em  Higienópolis (Commons/Wikimedia)

Casarões
Destinado à elite paulista, entre o final do século 19 e início do século 20, muitos casarões e palacetes foram construídos na região. As construções eram inspiradas nos modelos franceses, sendo que o material de construção, móveis e mesmo as plantas dos jardins das casas eram trazidos da Europa.

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Ao longo dos anos, algumas dessas construções foram tombadas pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo. 

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Um exemplo dos antigos casarões é o Palacete Veridiana da Silva Prado, que foi construído entre 1883 e 1884 e, segundo consta, presenciou diversas reuniões de cientistas e intelectuais. A construção já teve diversos proprietários e hoje pertence ao Iate Clube de Santos e é usada para festas.

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Edifício Louveira, na Praça Villaboim em Higienopolis
Edifício Louveira, na Praça Villaboim, em Higienópolis (Thomas Hobbs)

 Prédios
Se no início de sua história, Higienópolis era tomada pelos casarões em estilo francês, a partir dos anos de 1930 começou o processo de verticalização do bairro, que anos mais tarde o transformaria em um local importante para a arquitetura brasileira.

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O Condomínio Edifício Alagoas, fundado em 1933, foi o primeiro prédio de São Paulo a ter um apartamento por andar. A partir daí outros prédios de luxo surgiram no bairro.

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Nos anos 1940, porém, prédios mais modestos começaram a surgir na região, como o Edifício Rubayat, Teresópolis e o Louveira, que é um exemplo de arquitetura moderna e tombado pelo Condephaat.

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Vista da Praça Buenos Aires, no bairro de Higienópolis
Vista da Praça Buenos Aires, no bairro de Higienópolis em 1958   (Folhapress)

Locais e fatos
A verticalização fez com que muitos moradores da elite se mudassem da região, que passou a abrigar um perfil mais heterogêneo de moradores, o que inclui os imigrantes judeus, vindos do bairro do Bom Retiro.

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Entre os fatos e locais a se destacar no bairro de Higienópolis estão o primeiro jogo de basquete realizado no Brasil, que aconteceu ainda em 1896, no Colégio Mackenzie, um dos locais de destaque do bairro.

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Além do Mackenzie, vale destacar ainda a Praça Buenos Aires, fundada em 1913 e projetada pelo arquiteto francês Buvard, a Igreja Santa Terezinha, de 1928, e a Praça Vilaboim, de 1930.