Passe livre em ônibus, metrô e trens em dia de eleição deve custar R$ 13 mi em SP

Estimativa de desembolso em 2 turnos representa de 0,1% a 0,2% do gasto anual dos sistemas de transporte

Decisão do STF de outubro prevê que o poder público deve ofertar transporte urbano coletivo gratuito em todo o país nas datas das eleições

Decisão do STF de outubro prevê que o poder público deve ofertar transporte urbano coletivo gratuito em todo o país nas datas das eleições | Ettore Chiereguini/Gazeta de S. Paulo

O passe livre nas eleições determinado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) deve ter um custo aproximado de R$ 7 milhões para a Prefeitura de São Paulo e de pouco mais de R$ 6 milhões ao governo do estado em cada turno, para bancar a operação do transporte municipal e de linhas de metrô, trens metropolitanos da CPTM e ônibus intermunicipais da EMTU.

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Decisão do STF de outubro prevê que o poder público deve ofertar transporte urbano coletivo gratuito em todo o país nas datas das eleições -enquanto o Congresso não editar uma lei que regulamente uma política de gratuidade nesses dias.

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Para a Prefeitura de São Paulo, esse gasto, após ser multiplicado pelos dois turnos, representaria 0,14% do custo anual do serviço de ônibus (R$ 10,34 bilhões) e 0,24% do montante despendido atualmente pelo município com subsídios ao sistema (R$ 5,8 bilhões), incluindo todos os tipos de gratuidade.

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Especificamente no metrô, os gastos estimados são de R$ 2,86 milhões em cada turno, que, somando dois dias de votação (caso a disputa não se encerre na primeira etapa), geraria um impacto de até 0,2% nas despesas anuais da companhia com a manutenção do sistema. Na CPTM, R$ 1,4 milhão, se considerados os dois turnos de eleição -0,13% do gasto anual.

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Esses valores aproximados se referem aos padrões de movimentação de passageiros do segundo turno das eleições de 2022, quando São Paulo já adotou a tarifa zero nos dias de votação. Levantamento do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) apontou que 193 cidades brasileiras, incluindo 22 capitais, adotaram passe livre na ocasião.

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As gratuidades do sistema de transporte são cobertas em São Paulo pelo poder público, inclusive nas linhas sob controle da iniciativa privada -tanto de ônibus como da rede metroferroviária.

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Na prática, as empresas recebem um valor da prefeitura ou do estado para cada passageiro na catraca, mesmo se ele não pagar a tarifa (como idosos) ou se a tarifa dele tiver desconto (como estudantes).

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A decisão do STF foi aprovada por unanimidade pelos ministros da corte.

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O presidente do Supremo e relator do caso, Luís Roberto Barroso, disse no julgamento haver omissão inconstitucional decorrente da ausência dessa política pública, que, segundo ele, “retira dos mais pobres a possibilidade de participar do processo eleitoral”.

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“A medida pretendida promove dois valores relevantes: a igualdade de participação, proporcionando acesso ao voto por parte significativa dos eleitores; e o combate a ilegalidades, evitando que o transporte sirva como instrumento de interferência no resultado eleitoral.”

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Em relação aos gastos do poder público com a medida, Barroso afirmou que, “na ausência da regulamentação, me parece intuitivo que o que for transporte municipal corre à conta do município”, o que for estadual corre à conta dos estados e o que for transporte federal corre à conta da União.

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O ministro Alexandre de Moraes, que foi secretário dos Transportes na cidade de São Paulo, buscou minimizar eventuais impactos financeiros com a decisão, sob a justificativa de que a medida valeria no máximo duas vezes em um ano.

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Na capital paulista, a gestão Ricardo Nunes (MDB) chegou a pedir um estudo sobre a possibilidade de tarifa zero nos 365 dias do ano.

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Considerando apenas um turno da eleição, a prefeitura estimou no ano passado um gasto de R$ 6 milhões devido ao passe livre no transporte no dia de votação -atualizado para R$ 7 milhões após a decisão do STF de outubro.

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Em 2022, somente com propaganda institucional dos diversos tipos de ações do município, a gestão Nunes desembolsou R$ 223,7 milhões.

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O governo estadual, sob comando de Tarcísio de Freitas (Republicanos), informou a estimativa de custo similar à do ano passado com a tarifa zero eleitoral, um total de R$ 6,2 milhões, considerando metrô, CPTM e EMTU.

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O total de passageiros no metrô naquela ocasião foi de 539 mil, um gasto de R$ 2,4 milhões. Já na CPTM foram 324 mil passageiros, correspondente a R$ 1,4 milhão; a EMTU, por sua vez, teve gasto de R$ 2,4 milhões.

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De acordo com a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos, as empresas concessionárias de trem e metrô não tomam nenhum prejuízo, uma vez que os gastos contam como gratuidades, que são bancadas pelo poder público.

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Há 85 cidades do país que já possuem passe livre o ano todo. Em 1º de novembro, a tarifa zero estreou em São Caetano do Sul, município de 165 mil habitantes na região metropolitana de São Paulo.

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O presidente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), Ailton Brasiliense, considera que a decisão do STF facilita as condições para a população mais pobre exercer o direito de votar -que, no Brasil, é também uma obrigação.

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A abstenção no país é historicamente maior entre pessoas de menor renda e escolaridade, o que é creditado às dificuldades que elas enfrentam para chegarem aos locais de votação.

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Brasiliense avalia, porém, que a medida requer alguns ajustes para cobrir os gastos extras das concessionárias. Para ele, não há grandes obstáculos para que isso seja feito porque os contratos, em geral, preveem excedentes.

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Também pode ser necessário revisar a frota e o sistema de operação disponível em algumas cidades. Na capital paulista, em 2022, por exemplo, a eleição com passe livre foi marcada por filas em terminais e espera de até uma hora em algumas linhas.