Projeto de ‘motovia’ nas marginais Tietê e Pinheiros prevê pontes exclusivas

A CET divulgou modelos preliminares para as rampas de acesso à motovia e outros detalhes

Mototáxi está proibido por decisão judicial em São Paulo

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) ressalta que o projeto é incipiente | Marcelo Pereira/PMSP

A construção de vias exclusivas para motocicletas nas marginais Pinheiros e Tietê, uma ideia em estudo pela Prefeitura de São Paulo, prevê a construção de pontes só para motociclistas e um possível alargamento da pista. O plano, ainda preliminar, pode resultar em perda de vegetação nos canteiros ou uma diminuição do espaço para outros veículos. 

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A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) divulgou modelos preliminares para as rampas de acesso à motovia e outros detalhes, mas a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) ressalta que o projeto é incipiente. 

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Além da separação das motos nas duas marginais, a prefeitura quer construir uma ciclovia numa das margens do Tietê. A via para bicicletas iria até o Parque Ecológico do Tietê, na zona leste, e a ideia é que tenha rampas e pontes iguais às da “motovia”. 

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As “motovias” teriam mão dupla e seriam instaladas numa só margem. O acesso seria feito apenas por meio das pontes. As rampas de acesso, com uma faixa só para motos, poderiam ser feitas nos dois lados de cada viaduto que corta os rios. 

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Isso poderia significar a construção de até 24 estruturas só na marginal Pinheiros e de outras 34 na Tietê, sem contar as rampas e pontes com destino para a ciclovia. 

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Os esboços divulgados pela CET ainda carecem de detalhes. A companhia não sabe, por exemplo, como seria o acesso das motos à via segregada que ficaria colada à pista expressa da marginal, no lado oposto às rampas. 

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Para a construção de novos pavimentos, o secretário municipal de Mobilidade e Trânsito, Ricardo Teixeira, levantou duas hipóteses. Uma é a construção de pistas suspensas ao lado esquerdo da pista expressa. Ele deu como exemplo a estrutura da ciclovia Tim Maia, na zona sul do Rio de Janeiro, que ficou marcada por desabamentos em 2016 e 2019. 

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Outra opção seria tirar espaço no asfalto que hoje é destinado aos carros, mas Teixeira diz que o plano é evitar essa hipótese. A decisão só virá com o aprofundamento dos estudos pela CET. 

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A prefeitura aposta na “motovia” como uma solução, aliada às motofaixas azuis, para diminuir o número de mortes de motociclistas na cidade. A gestão Nunes tem a meta de diminuir o número de mortos no trânsito de 6,5 para 4,5 mortes para cada 100 mil habitantes até o fim do ano que vem. 

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“É um estudo para ver se a nossa realidade se adapta, se tem espaço, se dá para fazer”, disse Teixeira. 

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Técnicos da CET trabalham há cerca de um mês no estudo das “motovias”. A ideia nasceu de uma visita técnica a órgãos de trânsito na Malásia, onde as motos representam 47% da frota de veículos. 

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“Eles tem túnel para moto, viaduto para moto, alça para moto, tudo separado dos carros: onde tem carros com motos eles têm acidentes como aqui, e onde já construíram as pistas segregadas o acidente é praticamente zero”, disse Teixeira sobre o país asiático. 

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Não há estimativa de prazo para a entrega do projeto nem de custos. 

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A ideia também dependeria de um convênio com o governo estadual, que tem jurisdição sobre as marginais, e da participação de órgãos como DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) e a Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), que têm estruturas ao longos dos rios canalizados. 

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Teixeira estima que seria possível dar início à obra até o final de 2024, caso a ideia não sofra percalços para aprovação. 

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Para o engenheiro Sergio Ejzenberg, mestre em transportes pela Escola Politécnica da USP, a falta de detalhamento impede avaliações básicas sobre a viabilidade da obra. Ele prevê, no entanto, que o avanço sobre a faixa de vegetação ao lado das pistas deve ser alvo de questionamentos da sociedade civil e do Ministério Público. 

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“Não dá para dizer se vai ou não funcionar porque não há absolutamente nenhum detalhe daquilo que é o mais difícil nesse processo, que é o acesso de entrada e saída com segurança nessa via”, ele diz. 

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Outra ponderação feita por ele é que a prefeitura já poderia ter agido para diminuir o número de acidentes e mortes nas marginais, antes mesmo de embarcar em ideias mais audaciosas. Ele diz que a redução do limite de velocidade já ajudaria na redução de acidentes. 

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“Se você fizer isso [redução da velocidade] agora, começa a ter vantagens já, enquanto se discute um processo que pode ser caro, demorado e pode não sair. E se depois implantar [a ‘motovia’], não se perdeu nada, pelo contrário: já teria se evitado mortes durante um bom tempo”, diz o engenheiro. 

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Ele também é favorável a estudos para implantação da faixa azul nas marginais. A gestão municipal por enquanto descarta a ideia de motofaixas nas marginais porque entende que o tráfego ali é muito intenso, com quase um milhão de veículos por dia, alta quantidade de caminhões e faixas muito estreitas. 

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Hoje, as marginais têm tráfego proibido para motos nas pistas centrais, justamente por motivos de segurança. Nas expressas, só são permitidas motos acima de 500 cilindradas. O trânsito para motociclistas só é totalmente liberado nas pistas locais. 

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A ideia da prefeitura é que, com a “motovia”, seja totalmente proibida a passagem de motos nas pistas expressas e centrais. Nas locais, ainda seria liberado. 

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Há uma média anual de dez motociclistas mortos na marginal Tietê e de 12 na Pinheiros. Os acidentados que ficam com sequelas chegam a 220 por ano nas duas vias. No ano passado, as mortes em acidentes envolvendo motociclistas aumentaram 29% na cidade, em comparação com 2021. 

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Segundo Gilberto Almeida dos Santos, presidente do Sindmoto, os motociclistas veem com bons olhos a iniciativa. “É um modelo que dá certo na Malásia, está em plena expansão lá e vale a pena a prefeitura apostar”, diz Gil, que fez a viagem à Ásia com a equipe da CET. “Se fizerem isso e salvar uma única vida, já se pagou o projeto.”