São Sebastião: ONG diz ter contado 17 corpos em comunidade isolada

'Estou com 17 corpos da minha comunidade lá dentro', contou advogada, dizendo que há crianças entre as vítimas e mais gente soterrada

A iniciativa pioneira usa drones elétricos, inteligência artificial e cápsulas biodegradáveis para reflorestar áreas de difícil acesso e alta declividade na costa sul de São Sebastião, onde estão Baleia, Barra do Sahy, Boiçucanga, Juquehy, entre outras.

Região da Vila Sahy, em São Sebastião, após os deslizamentos | Reprodução

A advogada Fernanda Carbonelli, moradora de São Sebastião, cidade do litoral norte paulista atingida por chuvas extremas na madrugada deste domingo (19), descreveu o que viu: “É um cenário de guerra. Rio e mar viraram uma coisa só. Pessoas foram arrastadas pela enxurrada.”

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A sede da ONG na qual Carbonelli atua, o Instituto Verdescola, está servindo base para o resgate de vítimas dos deslizamentos que atingiram a comunidade Vila Sahy. A região esta totalmente isolada, sem acesso por terra. “Estou com 17 corpos da minha comunidade lá dentro”, contou. “Há muitas crianças. Ainda tem muita gente soterrada aqui.”

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Carbonelli afirma que os corpos estão em uma sala fechada, enquanto não chegam instruções sobre como serão realizadas as remoções. O primeiro helicóptero de resgate chegou ao local por volta das 16h e priorizou o transporte de um grupo de três feridos em estado grave.

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Um segundo helicóptero não conseguiu pousar novamente no local e, com o cair da noite, a situação fica mais difícil, pois não há energia elétrica. “Não temos ideia da situação morro acima, achamos que tem muita gente nos escombros.”

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Oficialmente, a Prefeitura de São Sebastião reportou duas mortes: uma mulher de 35 anos e um bebê. Como as áreas afetadas estão isoladas, porém, o prefeito Felipe Augusto (PSDB) disse que é grande a possibilidade de um número maior de óbitos.

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Voluntários estão usando uma trilha para, de motocicleta, acessarem o trecho entre Baleia e Sahy, já que a ponte que liga as localidades não está acessível. “A Defesa Civil está trabalhando manualmente porque não dá para trazer equipamentos”, contou.
Estimativas iniciais do município apontam para cerca de 50 casas atingidas por deslizamentos nos bairros Vila do Sahy e Barra do Sahy ou nas imediações. Essa é a área mais prejudicada e isolada. Carbonelli diz que há cerca de 70 residências soterradas na comunidade.

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São Sebastião decretou estado de calamidade pública neste domingo (19) após as fortes chuvas que atingem o litoral norte paulista causarem deslizamentos de terra em diversas áreas do município. A programação de Carnaval para o dia foi cancelada.

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Por telefone, Carbonelli contou à Folha que está realizando resgates e atendimentos com o apoio de cinco médicos e um enfermeiro, além da ajuda de um psicólogo no amparo às famílias, todos voluntários da ONG e proprietários de casas nas praias da Baleia e Sahy. “Moradores estão abrindo suas casas de veraneio para abrigar as famílias”, disse.

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A Defesa Civil do município afirmou que os volumes registrados pelos pluviômetros são “excepcionais e recordes para a cidade”.

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Na Barra do Una, Juquehy, Cambury e Boiçucanga choveu mais de 400 milímetros durante a madrugada, em um período de quatro horas. Há estações em que os volumes ultrapassam 600 milímetros em 24 horas.

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O volume de chuva fora do comum em São Sebastião pode ser classificado como um “evento climático extremo”, segundo a meteorologista Ana Avila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas da Unicamp.

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“O Brasil não tem um histórico de eventos extremos frequentes, embora registre fenômenos intensos, mas esse é um evento extremo de chuva”, afirma.

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Municípios da região também estão em alerta. Em Ubatuba, uma criança de sete anos morreu na madrugada depois de uma pedra deslizar e atingir a casa em que ela estava.