Uma fêmea de lobo-guará foi registrada com três filhotes na região da Estação Ecológica Barreiro Rico, entre os rios Piracicaba e Tietê, em São Paulo. O flagrante reforça a importância da preservação de áreas naturais para a reprodução da espécie, que está ameaçada de extinção.
Os registros de lobos-guarás têm aumentado na região da Área de Proteção Ambiental (APA) Barreiro Rico nos últimos anos. Desde 2020, mais de dez animais foram identificados em diferentes pontos do território, segundo dados da Fundação Florestal, responsável pela gestão das Unidades de Conservação estaduais.
A presença de uma fêmea acompanhada por filhotes é considerada um sinal positivo para a conservação da espécie, já que indica que o ambiente ainda oferece condições para a reprodução.
Monitoramento registra mais de 3 mil ocorrências em SP
Dados do MonitoraBioSP mostram a presença do lobo-guará em diferentes regiões paulistas. Entre 2022 e 2025, foram contabilizados 3.062 registros da espécie nas áreas protegidas pela Fundação Florestal incluídas no levantamento.
Entre os locais com maior número de ocorrências estão a Estação Ecológica e a Estação Experimental de Itirapina, com 1.392 registros. Já a Estação Ecológica Jataí e a Estação Experimental de Luiz Antônio somaram 831 ocorrências. A Reserva Biológica de Mogi-Guaçu teve 168 registros.
Os números não representam a quantidade total de lobos-guarás existentes no Estado. Os dados são utilizados para identificar áreas de ocorrência e orientar ações de monitoramento e conservação.
Segundo Andrea Pires, diretora de biodiversidade da Fundação Florestal, o registro da fêmea com três filhotes na APA Barreiro Rico mostra que o local ainda apresenta condições favoráveis à reprodução.
“O registro de uma mãe lobo-guará com três filhotes na APA Barreiro Rico é um sinal importante de que a região ainda oferece condições para a reprodução da espécie. E os mais de 3.000 registros do MonitoraBioSP reforçam a importância do monitoramento científico para orientar ações de conservação”, afirmou.
Lobo-guará enfrenta riscos próximos a áreas urbanizadas
Maior canídeo da América do Sul, o lobo-guará tem comportamento predominantemente solitário. Embora seja associado ao Cerrado, também pode ocupar áreas rurais, incluindo plantações de cana-de-açúcar, laranja e eucalipto, além de pastagens.
A proximidade com estradas e atividades humanas aumenta o risco de atropelamentos e outros impactos. Entre as principais ameaças estão também a perda e fragmentação de habitats, a caça e a transmissão de doenças por animais domésticos.
Doenças como sarna sarcóptica, cinomose e parvovirose podem afetar a espécie. Para reduzir esses riscos, estão entre as medidas recomendadas a vacinação de cães, a guarda responsável e o controle do acesso de animais domésticos às áreas protegidas.
Nas estradas próximas aos ambientes naturais, a identificação de trechos críticos, o monitoramento de atropelamentos e a instalação de placas informativas também ajudam na proteção dos animais.
Além de integrar a fauna brasileira, o lobo-guará tem papel importante no equilíbrio dos ecossistemas. A alimentação inclui frutas, como as da lobeira e do jerivá, além de pequenos mamíferos, aves e répteis. Ao consumir frutos e dispersar sementes pelas fezes, o animal contribui para a regeneração da vegetação.
