Com a intensificação das viagens e das aglomerações típicas do verão, especialmente em praias e piscinas, o fim de ano acende um alerta para o risco de novos surtos de conjuntivite.
A doença é a afecção ocular externa mais comum nessa época, caracterizada por sintomas como olhos vermelhos, coceira, lacrimejamento, ardência, sensação de areia nos olhos, fotofobia, visão embaçada e secreção que pode colar as pálpebras inchadas.
A conjuntivite ocorre ao longo de todo o ano, mas tende a aumentar no verão. Dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo mostram um crescimento expressivo de casos, com uma alta de 50% na capital paulista, 35% no estado e 27% em Campinas.
O que é a conjuntivite
A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, membrana transparente que reveste o globo ocular e a parte interna das pálpebras, responsável por proteger os olhos. Quando inflamada, provoca inchaço das pálpebras e dilatação dos vasos sanguíneos, deixando os olhos avermelhados.
A inflamação da córnea, chamada ceratite, é a quinta causa mais frequente de perda de visão no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Por isso, a conjuntivite não deve ser tratada como um problema menor”, ressalta.
Tipos, causas e gatilhos
Embora todos os tipos possam ocorrer em qualquer época do ano, formas viral e bacteriana costumam provocar surtos no verão, favorecidas por aglomerações, uso compartilhado de objetos e contato com água do mar e de piscinas.
O ressecamento ocular, causado pela exposição ao sol e ao uso excessivo de ar-condicionado, também aumenta a vulnerabilidade a infecções.
Conjuntivite viral: é a mais comum. Geralmente apresenta secreção transparente e viscosa e tem como principal agente o adenovírus, o mesmo do resfriado, podendo também ser causada por vírus como o do sarampo, coronavírus e herpes.
Conjuntivite bacteriana: caracteriza-se por secreção amarelada e pode ser causada por bactérias como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus spp., entre outras.
Conjuntivite alérgica: resulta da hipersensibilidade a poeira, pólen, pelos de animais ou está associada a quadros como rinite, asma e atopia.
Conjuntivite tóxica: mais frequente em mulheres, está relacionada à exposição a cosméticos e maquiagem. Estudos conduzidos pelo especialista apontam ainda o uso inadequado de filtro solar como um fator importante, já que o excesso de produto e a transpiração facilitam sua entrada nos olhos.
Tratamento exige diagnóstico
O tratamento varia conforme a causa. “A automedicação deve ser evitada, pois o uso de colírios inadequados pode agravar o quadro”, alerta Queiroz Neto. Em geral, podem ser indicados colírios lubrificantes e a limpeza das secreções pelo menos três vezes ao dia, com gaze e água filtrada ou soro fisiológico.
Casos virais podem exigir corticoides e, quando associados ao vírus do herpes, antivirais. A conjuntivite bacteriana requer antibióticos, enquanto a alérgica demanda o afastamento do alérgeno e uso de anti-histamínicos ou corticoides tópicos. Na forma tóxica, a recomendação inicial é lavar abundantemente os olhos; se os sintomas persistirem, é necessário procurar um oftalmologista.
Como prevenir
Para reduzir o risco de contágio, especialmente durante as festas e férias, o especialista recomenda:
- Lavar as mãos com frequência;
- Evitar tocar os olhos;
- Evitar abraços, apertos de mão e beijos em caso de suspeita;
- Não compartilhar toalhas, fronhas, maquiagem ou cosméticos;
- Usar apenas produtos dentro do prazo de validade;
- Higienizar objetos de uso coletivo com álcool gel;
- Evitar exposição a agentes irritantes;
- Proteger os olhos do sol com chapéus e óculos escuros;
- Evitar aplicar camadas espessas de filtro solar na região dos olhos.
Com cuidados simples e atenção aos sintomas, é possível aproveitar o verão e o fim de ano sem comprometer a saúde ocular.
