Abandonado em caçamba ainda bebê, hoje ele comanda empresa de R$ 220 mi

Entre erros, recomeços e decisões arriscadas, Alex Araújo saiu de uma infância improvável para liderar uma empresa que faz 700 mil exames por ano

Empresário relembra o abandono ao nascer e a trajetória até liderar uma empresa que realiza 700 mil exames ocupacionais por ano

Resgatado na Vila Mariana, ele enfrentou trabalhos braçais, virou bancário e apostou alto até transformar a 4Life Prime em referência em saúde ocupacional | Pedro-Henrique-Kanaan-Gamborgi/Divulgação

Poucas horas depois de nascer, Alex Araújo foi deixado dentro de uma caçamba de entulho, na Vila Mariana, em São Paulo.

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Décadas mais tarde, se tornaria fundador e CEO da 4Life Prime, empresa de saúde e segurança do trabalho que faturou R$ 220 milhões em 2024.

Hoje, a companhia atende mais de 3.600 clientes, sendo 90% multinacionais, e realiza cerca de 700 mil exames ocupacionais por ano. O caminho até esse resultado, no entanto, foi longo, marcado por tentativas, erros e decisões arriscadas.

Um começo improvável

Resgatado em 1980, Alex foi adotado por uma família simples, com quatro filhos. O dinheiro era curto, mas o ambiente era cercado de afeto.

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Em entrevista ao Exame, ele afirma que o pai repetia que estudo e respeito abririam caminhos. A frase virou referência constante ao longo da vida.

Na adolescência, a família se mudou para Sorocaba. A mãe seguia trabalhando em São Paulo e viajava todos os fins de semana. Foi nesse período que Alex soube que era adotado, sem que isso mudasse sua relação com os pais.

Trabalho cedo e responsabilidades

Aos 18 anos, voltou sozinho para a capital. Começou cavando buracos para postes e, no mesmo período, tornou-se pai.

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Ele lembra que alternava contas atrasadas e fazia compras básicas no mercado. Muitas vezes, precisava escolher o que levar para casa.

A primeira virada veio ao tomar iniciativa no trabalho. Lavou o carro do CEO da empresa e acabou transferido para o escritório, onde passou por novas funções.

Carreira no banco e saída planejada

Depois, ingressou no Banespa, mais tarde Santander, onde permaneceu por sete anos e meio. Foi promovido nove vezes e superou metas de forma consistente.

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Em entrevista ao Exame, afirma que entender a real necessidade do cliente e deixar o ego de lado fez diferença. Quando surgiu um plano de desligamento voluntário, aceitou. Recebeu uma indenização e decidiu empreender.

Primeira empresa e aprendizado

O primeiro negócio foi uma choperia em Sorocaba, comprada de forma impulsiva. No início, o movimento era intenso e o caixa parecia inesgotável.

Com o fim de uma grande obra na cidade, milhares de clientes deixaram de circular. O faturamento caiu rapidamente e as reservas se esgotaram. Com isso, Alex percebeu que não estava pronto para empreender sozinho.

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Entraempreendedorismo e retomada

Em 2016, voltou ao mercado como gerente geral em uma empresa de saúde ocupacional. Propôs reduzir o salário fixo e receber comissão sem limite, atrelada a resultados.

Em três meses, gerou R$ 1,5 milhão em comissões. Tornou-se sócio e, em 2018, comprou a parte do parceiro, vendendo imóveis para viabilizar a operação.

Pandemia e crescimento

Em 2020, com a pandemia, decidiu agir rápido. Criou um modelo de testagem dentro das indústrias, cobrindo todos os turnos.

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Em entrevista ao Exame, explica que o foco era manter fábricas funcionando. A 4Life Prime passou a importar testes da China e dobrou o faturamento anual.

Alex atribui os resultados ao apoio da esposa e aos valores aprendidos com os pais.

“Aprendi que é muito importante estar no lugar certo, na hora certa e pronto para fazer o melhor que puder. Relacionamentos sólidos e respeito pelas pessoas abrem portas que o currículo sozinho não abre”, relata.