Poucas horas depois de nascer, Alex Araújo foi deixado dentro de uma caçamba de entulho, na Vila Mariana, em São Paulo.
Décadas mais tarde, se tornaria fundador e CEO da 4Life Prime, empresa de saúde e segurança do trabalho que faturou R$ 220 milhões em 2024.
Hoje, a companhia atende mais de 3.600 clientes, sendo 90% multinacionais, e realiza cerca de 700 mil exames ocupacionais por ano. O caminho até esse resultado, no entanto, foi longo, marcado por tentativas, erros e decisões arriscadas.
Um começo improvável
Resgatado em 1980, Alex foi adotado por uma família simples, com quatro filhos. O dinheiro era curto, mas o ambiente era cercado de afeto.
Em entrevista ao Exame, ele afirma que o pai repetia que estudo e respeito abririam caminhos. A frase virou referência constante ao longo da vida.
Na adolescência, a família se mudou para Sorocaba. A mãe seguia trabalhando em São Paulo e viajava todos os fins de semana. Foi nesse período que Alex soube que era adotado, sem que isso mudasse sua relação com os pais.
Trabalho cedo e responsabilidades
Aos 18 anos, voltou sozinho para a capital. Começou cavando buracos para postes e, no mesmo período, tornou-se pai.
Ele lembra que alternava contas atrasadas e fazia compras básicas no mercado. Muitas vezes, precisava escolher o que levar para casa.
A primeira virada veio ao tomar iniciativa no trabalho. Lavou o carro do CEO da empresa e acabou transferido para o escritório, onde passou por novas funções.
Carreira no banco e saída planejada
Depois, ingressou no Banespa, mais tarde Santander, onde permaneceu por sete anos e meio. Foi promovido nove vezes e superou metas de forma consistente.
Em entrevista ao Exame, afirma que entender a real necessidade do cliente e deixar o ego de lado fez diferença. Quando surgiu um plano de desligamento voluntário, aceitou. Recebeu uma indenização e decidiu empreender.
Primeira empresa e aprendizado
O primeiro negócio foi uma choperia em Sorocaba, comprada de forma impulsiva. No início, o movimento era intenso e o caixa parecia inesgotável.
Com o fim de uma grande obra na cidade, milhares de clientes deixaram de circular. O faturamento caiu rapidamente e as reservas se esgotaram. Com isso, Alex percebeu que não estava pronto para empreender sozinho.
Entraempreendedorismo e retomada
Em 2016, voltou ao mercado como gerente geral em uma empresa de saúde ocupacional. Propôs reduzir o salário fixo e receber comissão sem limite, atrelada a resultados.
Em três meses, gerou R$ 1,5 milhão em comissões. Tornou-se sócio e, em 2018, comprou a parte do parceiro, vendendo imóveis para viabilizar a operação.
Pandemia e crescimento
Em 2020, com a pandemia, decidiu agir rápido. Criou um modelo de testagem dentro das indústrias, cobrindo todos os turnos.
Em entrevista ao Exame, explica que o foco era manter fábricas funcionando. A 4Life Prime passou a importar testes da China e dobrou o faturamento anual.
Alex atribui os resultados ao apoio da esposa e aos valores aprendidos com os pais.
“Aprendi que é muito importante estar no lugar certo, na hora certa e pronto para fazer o melhor que puder. Relacionamentos sólidos e respeito pelas pessoas abrem portas que o currículo sozinho não abre”, relata.


