Todos os anos, a Transparência Internacional divulga seu relatório do Índice de Percepção de Corrupção (IPC) de 182 países. No ano de 2025, o Brasil obteve a pontuação de 35 pontos, em uma escala de 0 a 100, a segunda pior na série histórica.
O País figura um ponto abaixo da Ucrânia, que sofre de um problema endêmico de corrupção denunciado até mesmo por seus próprios governantes, e também está abaixo de países que sofreram golpes de Estado, como a Burquina Fasso.
Adicionalmente, a ONG também publicou a Retrospectiva Brasil 2025, detalhando fatores, positivos e negativos, que podem apontar as razões de uma pontuação tão baixa da nação no IPC.
Quais eventos afetaram a avaliação?
O documento fez um levantamento de como os escândalos de corrupção recentes no Brasil afetaram negativamente sua avaliação, em especial o caso do Banco Master e da fraude dentro do INSS.
Ambos os escândalos foram destacados por colocar em xeque figuras do poder público e pessoas associadas, como citado nominalmente no documento: “contrato inexplicado de R$ 129 milhões do banco com a esposa do ministro Alexandre de Moraes e pela condução heterodoxa e opaca pelo ministro Dias Toffoli das investigações.”
Dentro do escândalo do INSS, o documento destacou “falhas de controle, coordenação e resposta do governo frente ao caso INSS, o maior esquema de corrupção previdenciária da história brasileira”. O texto também menciona a continuidade do esquema através dos governos de Bolsonaro e Lula.
Segundo a Transparência Internacional, outros fatores apontados que merecem destaque são:
- A infiltração do crime organizado, especialmente o PCC e o CV, em diversas esferas do poder público e econômico brasileiro. Como denunciado na operação Carbono Oculto e na prisão do ex-parlamentar TH Joias.
- Enfraquecimento de agências reguladoras, especialmente a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em decorrência do Caso Master.
- Silêncio do presidente Lula frente ao tema corrupção, pois o tema só foi retratado apenas 13 vezes em 130 discursos e, na maioria delas, para ironizar denúncias e criticar o combate à corrupção.
- Aumento de privilégios inconstitucionais e imorais por parte da casta política, como o recente aumento nos salários da Câmara de Deputados.
- Normalização de posicionamento político e criação de lobbies envolvendo juízes, especialmente membros do STF.
- Aumento recorde dos valores de emendas parlamentares que estão estrangulando o orçamento discricionário do governo.
- Alterações nas leis da Ficha Limpa.
- Aumento do nepotismo em cargos públicos, com numerosas indicações de parentes registradas.
O que um IPC baixo pode apontar?
Com seus 35 pontos, o Brasil é agrupado dentro de um grupo de 68% dos países que estão abaixo da média mundial, 42.
Países dentro desse grupo costumam apresentar características em comum, como destacado pela Transparência Internacional.
Segundo os parâmetros do IPC, a população brasileira é considerada em um nível obstruído de liberdades civis, beirando a repressão (Imagem: Divulgação / Transparência Internacional)Dentre outros fatores levantados pelo ranking estão o acesso à justiça, taxa de morte de jornalistas e acesso aos serviços de saneamento básico.
Histórico do Brasil
Esse é o segundo pior resultado do Brasil na série histórica que começou a ser medida em 2012, empatado com os anos de 2018 e 2019.
Fora da série, o Brasil só recebeu um valor menor em 2006, durante o contexto do mensalão, com 33 pontos.
Resultados brasileiros desde o começo da atual série da Transparência Internacional (Imagem: Luiz Dias / Dados da Transparência Internacional)Como é medido o IPC e quem é a Transparência Internacional?
O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) avalia a integridade do setor público em 182 países com base na percepção de especialistas e empresários.
O cálculo utiliza 13 fontes independentes de informação para atribuir notas em uma escala que varia de 0 (altamente corrupto) a 100 pontos (altamente íntegro).
A Transparência Internacional é um movimento global sediado em Berlim que lidera a luta anticorrupção por meio de mais de 100 capítulos nacionais.
A organização atua para que governos e empresas operem com transparência e prestação de contas, buscando proteger o interesse público em todo o mundo.






