Ao tentarem deixar a casa mais limpa, mais desenfeitada ou apenas acelerar o processo da limpeza, muitos brasileiros comentem um erro gravíssimo: misturar água sanitária, ou cloro puro, com outros produtos de limpeza.
Pode parecer bobo e inofensivo, mas essa mistura libera gases extremamente tóxicos que atacam e danificam o sistema respiratório em poucos minutos.
Foi o que aconteceu com Alexandre Eustáquio Ribeiro, de 31 anos, em Divinópolis, Minas Gerais, em julho de 2025. Alexandre morreu ao misturar água quente com cloro para lavar o banheiro.
Caso Alexandre Eustáquio
Em poucos minutos o rapaz começou a passar mal, apresentando um quadro de tontura e falta de ar. Alexandre foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, entretanto seu quadro seu estado de saúde piorou e o jovem teve que ser transferido para outro hospital, onde faleceu após uma parada cardiorrespiratória.
A tragédia reacendeu uma alerta antigo, mas que com muita frequência é ignorado: água sanitária e cloro não devem de jeito nenhum ser misturado com nada além de água fria.
A química por trás
Quando estes produtos entram em contato com desinfetantes com amônia, detergentes com cloro ou mesmo com vinagre, eles liberam cloramina e gás cloro, substâncias perigosas que atingem diretamente os pulmões, os olhos e podem levar à morte por insuficiência respiratória.
A água sanitária é um composto à base de hipoclorito de sódio – composto químico com propriedades oxidantes e desinfetantes – que quando entra em contato com água quente evapora e libera um gás que ao inalado pode causar irritação aos pulmões, podendo causar diversos problemas – inclusive a morte.
Para evitar tragédias, como a do Alexandre, o manuseio destes produtos deve ser feito por alguém competente, que conheçam seus riscos, que o faça em um ambiente arejado e com ferramentas de segurança adequadas (como luvas e máscaras).
Más influências digitais
Um levantamento feito pela Fiocruz em parceria com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) mostrou que os casos por intoxicação por produtos de limpeza cresceu 32% entre os anos de 2020 e 2025, sendo a maioria acidentes domésticos. Entre os principais vilões desses acidentes estão: água sanitária, desinfetante e limpador multiuso.
A falta de informação atrelada com a cultura do “do it your self” – faça você mesmo – contribui para esse tipo de ocorrência. Uma rápida busca no YouTube e no Tik Tok e é possível encontrar dicas de limpeza que ignoram orientações básicas de segurança.
O grande problema é que o grande volume desses vídeos é expressivo, porém com risco tóxico e grande potencial de letalidade.




