Cientistas descobrem o ‘segredo’ de bactéria presente em produtos contaminados da Ypê

Proteína funciona como uma espécie de rebite molecular e pode virar alvo para enfraquecer a defesa da Pseudomonas aeruginosa

Produtos da Ypê ganharam atenção após a Anvisa suspender lotes específicos por risco de contaminação microbiológica pela bactéria Pseudomonas aeruginosa (Foto: Divulgação/Ypê)

Bactéria comum no ambiente preocupa hospitais e ganhou atenção após ser associada a produtos suspensos pela Anvisa (Foto: Divulgação/Ypê)

Uma das bactérias mais relevantes da atualidade teve recentemente o segredo de sua “invulnerabilidade” desvendado.

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A Pseudomonas aeruginosa foi objeto de pesquisa de instituições estrangeiras que buscam entender mais sobre sua resistência a medicamentos.

Esse micro-organismo ganhou notoriedade por estar presente em lotes de produtos de limpeza da marca Ypê. Após a identificação, os itens contaminados pela bactéria foram suspensos da comercialização pela Anvisa.

Com a descoberta, cientistas e a indústria farmacêutica podem trabalhar na produção de mecanismos que possam combater sua ação e mitigar os danos causados por essa bactéria.

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O perigo da bactéria

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria comum no ambiente, encontrada em locais como água, solo e superfícies. Ela pode causar infecções no sangue, nos pulmões, no trato urinário e em outras partes do corpo, principalmente após cirurgias ou em pessoas mais vulneráveis.

Ela é capaz de causar sintomas leves, como infecções na pele, e até quadros mais graves e fatais, como pneumonia, meningite e septicemia. Sua transmissão se dá pelo contato direto e pode ser agravada por lesões e feridas cutâneas.

A bactéria preocupa especialmente em hospitais, porque pode atingir pacientes debilitados e apresentar resistência a antibióticos. A OMS inclui a Pseudomonas aeruginosa entre os patógenos bacterianos de prioridade para pesquisa e saúde pública.

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O segredo por trás de seu perigo

Durante os estudos, os pesquisadores descobriram o mecanismo por trás da resistência aos remédios. O principal responsável por isso é uma membrana externa presente na estrutura da bactéria.

A partir da proteína PA2854, essa membrana é ligada à sua parede celular, formando um bloqueio duplo aos medicamentos e à sua ação. Esse mecanismo foi apelidado pelos autores de “rebite molecular”.

Os pesquisadores usaram cristalografia de raios X de alta intensidade para observar esse processo no nível atômico.

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Possibilidade de futuros tratamentos

Apesar da recente descoberta, ainda não há fórmulas farmacêuticas conhecidas que possam combater os efeitos da Pseudomonas aeruginosa.

Porém, a novidade surge como uma pavimentação de pesquisas que possam desenvolver metodologias de tratamento contra a bactéria.

Por ser um mecanismo presente em outros microrganismos patógenos, essa iniciativa pode solucionar diversas questões da saúde pública mundial.