A ilha de 21 km² que pode mudar de nome para recuperar a própria identidade

Mudança para Naoero ainda depende de referendo, mas já recoloca a pequena ilha do Pacífico no centro de uma discussão sobre identidade e colonialismo

Com apenas 21 km², Nauru tenta recuperar um nome ligado à língua local e se afastar de uma marca deixada por potências estrangeiras

Com apenas 21 km², Nauru tenta recuperar um nome ligado à língua local e se afastar de uma marca deixada por potências estrangeiras | Hadi Zaher / Wikimedia Commons

Em um mapa, Nauru quase desaparece no meio do Pacífico. Mas a menor república insular do mundo acaba de chamar atenção por uma decisão simbólica: trocar seu nome oficial para Naoero.

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A mudança ainda depende de um referendo, já que altera a Constituição do país. Mesmo assim, a proposta aprovada pelo Parlamento reacendeu uma discussão maior sobre idioma, memória e as marcas deixadas pela colonização.

Mais do que uma troca em documentos, placas ou registros internacionais, o novo nome busca devolver à ilha uma forma de se apresentar ao mundo a partir da própria língua.

Por que Nauru quer virar Naoero?

A justificativa passa pela origem do nome. A língua nativa do país é chamada de Dorerin Naoero, falada pela maior parte dos cerca de 10 mil habitantes da ilha.

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Para o governo, Nauru surgiu de uma distorção feita por estrangeiros que não conseguiam pronunciar corretamente Naoero. Por isso, o nome atual é tratado como uma herança de conveniência colonial.

“Nauru surgiu porque Naoero não podia ser pronunciado corretamente por línguas estrangeiras, e foi alterado não por nossa escolha, mas por conveniência”, afirmou o governo em comunicado.

Uma ilha pequena com uma história pesada

Apesar do tamanho reduzido, Nauru carrega uma trajetória marcada por disputas externas. A ilha foi reivindicada pela Alemanha no fim do século 19 e, depois, administrada por Austrália, Reino Unido e Nova Zelândia.

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A independência veio em 1968, mas o impacto do período colonial continuou visível no território. Durante décadas, potências estrangeiras exploraram os depósitos de fosfato, mineral usado na produção de fertilizantes.

Essa riqueza chegou a transformar Nauru em um dos lugares mais ricos do mundo por habitante. Com o passar do tempo, porém, a mineração deixou o centro da ilha degradado e praticamente inabitável.

Trabalhadores em mina de fosfato aparecem em foto de 1908, quando a atividade já moldava o futuro de Nauru (Foto: Autor desconhecido / Wikimedia Commons)

O que muda se o novo nome for aprovado?

Se a população aprovar a mudança em referendo, Naoero passará a substituir Nauru em registros oficiais, documentos do governo, símbolos nacionais e representações internacionais.

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O presidente David Adeang defende que a mudança serve para “honrar mais fielmente” a herança, a língua e a identidade do país.