Greve dos entregadores reúne motoboys em várias cidades e cobra taxa mínima de R$ 10 além de mudanças nas regras dos aplicativos

Entregadores reivindicam remuneração por quilômetro, transparência em bloqueios de contas e proteção durante a regulamentação do trabalho digital

Motoboys também questionam o modelo de trabalho que define áreas e horários para a realização das entregas.

Motoboys também questionam o modelo de trabalho que define áreas e horários para a realização das entregas. Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

A greve dos entregadores teve início nesta terça-feira (1/9), com mobilização nacional de trabalhadores de aplicativos. O movimento envolve paralisações e atos em diferentes cidades e cobra mudanças na remuneração e nas regras adotadas pelas plataformas.

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Greve dos entregadores tem mobilização em várias cidades

O chamado “Breque Geral dos Apps” foi organizado por entregadores por meio de redes sociais e grupos de mensagens. A orientação aos participantes é permanecer offline nos aplicativos durante a mobilização.

Em São Paulo, cerca de 100 motoboys se concentraram na Praça Charles Miller, no Pacaembu, por volta das 11h30 da terça. Depois, o grupo passou pelo Centro e pela Avenida Paulista.

A mobilização também ocorreu em outras cidades brasileiras. Os participantes organizaram manifestações, carreatas e buzinaços para chamar atenção para as reivindicações.

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O que os entregadores pedem durante o protesto

Entre as principais demandas está a criação de um valor mínimo de R$ 10 para entregas de até 4 quilômetros. A categoria também pede pagamento de R$ 2,50 por quilômetro percorrido.

Os trabalhadores afirmam que os valores atuais precisam considerar despesas da atividade. Combustível, manutenção e outros custos ficam sob responsabilidade dos profissionais.

Outro alvo das críticas é o programa “+Entregas”. Nesse modelo, a plataforma define áreas e horários de atuação. Segundo os organizadores, a modalidade pode reduzir os ganhos por pedido.

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Entregadores também questionam bloqueios

Os trabalhadores pedem mudanças nos critérios usados pelas plataformas para suspender ou bloquear contas. Eles afirmam que algumas decisões ocorrem sem explicações consideradas suficientes.

A categoria também quer acesso aos critérios usados pelos sistemas automatizados. Além disso, defende uma forma adequada de contestar bloqueios e suspensões.

Bônus oferecidos por aplicativos entram na discussão

Durante a mobilização em São Paulo, 99Food e Keeta ofereceram valores extras por entrega. Os adicionais chegaram a R$ 9 em determinadas regiões e horários.

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Os entregadores levaram o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT). A representação questiona se os incentivos tiveram relação com a tentativa de reduzir a adesão ao movimento.

O MPT considera que oferecer prêmio ou incentivo para estimular trabalhadores a não participar de uma greve pode configurar conduta antissindical.

A Keeta afirmou que respeita o direito de manifestação. A empresa também disse que os incentivos fazem parte de sua política regular e não foram criados por causa da paralisação.

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Mobilização ocorre em meio à regulamentação do setor

A greve dos entregadores também acontece durante as discussões sobre regras para o trabalho em aplicativos. A categoria cobra mudanças relacionadas à renda e à proteção dos trabalhadores.

O governo federal mantém iniciativas voltadas aos profissionais de aplicativos. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços atualizou em 1º de setembro informações sobre entregadores e motoapps.

O direito de greve está previsto no artigo 9º da Constituição Federal. A Lei nº 7.783 também estabelece regras para o exercício da paralisação.

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A paralisação dos entregadores ocorreu ao longo desta terça e não representa uma greve por tempo indeterminado. Com o fim dos atos, os profissionais podem voltar às atividades, enquanto as reivindicações por melhores pagamentos, regras mais claras e mudanças na relação com as plataformas continuam em discussão.