A greve dos entregadores teve início nesta terça-feira (1/9), com mobilização nacional de trabalhadores de aplicativos. O movimento envolve paralisações e atos em diferentes cidades e cobra mudanças na remuneração e nas regras adotadas pelas plataformas.
Greve dos entregadores tem mobilização em várias cidades
O chamado “Breque Geral dos Apps” foi organizado por entregadores por meio de redes sociais e grupos de mensagens. A orientação aos participantes é permanecer offline nos aplicativos durante a mobilização.
Em São Paulo, cerca de 100 motoboys se concentraram na Praça Charles Miller, no Pacaembu, por volta das 11h30 da terça. Depois, o grupo passou pelo Centro e pela Avenida Paulista.
A mobilização também ocorreu em outras cidades brasileiras. Os participantes organizaram manifestações, carreatas e buzinaços para chamar atenção para as reivindicações.
O que os entregadores pedem durante o protesto
Entre as principais demandas está a criação de um valor mínimo de R$ 10 para entregas de até 4 quilômetros. A categoria também pede pagamento de R$ 2,50 por quilômetro percorrido.
Os trabalhadores afirmam que os valores atuais precisam considerar despesas da atividade. Combustível, manutenção e outros custos ficam sob responsabilidade dos profissionais.
Outro alvo das críticas é o programa “+Entregas”. Nesse modelo, a plataforma define áreas e horários de atuação. Segundo os organizadores, a modalidade pode reduzir os ganhos por pedido.
Entregadores também questionam bloqueios
Os trabalhadores pedem mudanças nos critérios usados pelas plataformas para suspender ou bloquear contas. Eles afirmam que algumas decisões ocorrem sem explicações consideradas suficientes.
A categoria também quer acesso aos critérios usados pelos sistemas automatizados. Além disso, defende uma forma adequada de contestar bloqueios e suspensões.
Bônus oferecidos por aplicativos entram na discussão
Durante a mobilização em São Paulo, 99Food e Keeta ofereceram valores extras por entrega. Os adicionais chegaram a R$ 9 em determinadas regiões e horários.
Os entregadores levaram o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT). A representação questiona se os incentivos tiveram relação com a tentativa de reduzir a adesão ao movimento.
O MPT considera que oferecer prêmio ou incentivo para estimular trabalhadores a não participar de uma greve pode configurar conduta antissindical.
A Keeta afirmou que respeita o direito de manifestação. A empresa também disse que os incentivos fazem parte de sua política regular e não foram criados por causa da paralisação.
Mobilização ocorre em meio à regulamentação do setor
A greve dos entregadores também acontece durante as discussões sobre regras para o trabalho em aplicativos. A categoria cobra mudanças relacionadas à renda e à proteção dos trabalhadores.
O governo federal mantém iniciativas voltadas aos profissionais de aplicativos. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços atualizou em 1º de setembro informações sobre entregadores e motoapps.
O direito de greve está previsto no artigo 9º da Constituição Federal. A Lei nº 7.783 também estabelece regras para o exercício da paralisação.
A paralisação dos entregadores ocorreu ao longo desta terça e não representa uma greve por tempo indeterminado. Com o fim dos atos, os profissionais podem voltar às atividades, enquanto as reivindicações por melhores pagamentos, regras mais claras e mudanças na relação com as plataformas continuam em discussão.
