Carnaval 2026: cidade desperdiça 1 mil toneladas de laranja em guerra de frutas para foliões

O evento envolve "quase 1.000 toneladas" de laranjas em poucos dias, segundo a Associated Press

As frutas chegam do sul do país e costumam ser de qualidade não comercial, escolhidas para não competir com o mercado

As frutas chegam do sul do país e costumam ser de qualidade não comercial, escolhidas para não competir com o mercado | Wikimedia commons

Uma cidade na Itália tem um carnaval diferente no qual os foliões fazem uma guerra de laranjas. A história do motivo pelo qual eles fazem isso e como a tradição surgiu é instigante.

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O município ao norte do país europeu mantém essa tradição há mais de 100 anos. Muito diferente do Brasil, onde a história do Carnaval ganhou novos formatos ao longo dos séculos, a data italiana em Ivrea é banhada a suco e bagaço.

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Tudo começou com uma confusão entre duas pessoas e acabou se espalhando de forma (aparentemente) descontrolada.

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Como surgiu o Carnaval de guerra de laranjas, na Itália

Tudo começou com uma jovem chamada Violetta, que se revoltou contra um governante tirano da cidade de Ivrea. Para provocá-lo, ela teria atirado laranjas contra ele.

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Depois do episódio, o ato acabou se tornando tradição no Carnaval, a partir do século XIX. Na cidade, que fica a 650 quilômetros de Roma, os cidadãos se dividem em grupos e fazem a guerra de frutas.

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Os detalhes da “guerra” carnavalesca

Atualmente, a batalha acontece de forma bem organizada. Durante o evento, um grupo de pessoas fica em pé e outro fica em carroças. Após o aval da organização, os pedestres passam a arremessar as frutas contra a carroça.

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São equipes fixas que sabem bem seu papel. A ideia é relembrar o evento que aconteceu há mais de um século e manter viva a tradição dos primeiros habitantes de Ivrea.

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Há também o público que vem só para assistir. Esses expectadores têm de respeitar regras claras, como não invadir o campo de batalha e usar proteção para os olhos.

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Existem redes que ajudam a conter laranjas “desgovernadas” para evitar acidentes. Mesmo assim, hematomas são comuns entre pessoas na plateia.

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Por que usam laranjas?

À primeira vista, a “guerra” parece desperdício. Mas a escolha das laranjas tem dois lados: simbolismo e praticidade. Na encenação, a fruta funciona como “munição” de um confronto histórico, sem usar pedras ou paus.

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Segundo a Associated Press, a batalha hoje usa perto de 1.000 toneladas de laranjas ao longo de três dias, em uma reconstituição ligada a uma revolta medieval contra um barão considerado tirânico.

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O detalhe curioso é que Ivrea não é uma região de laranjais. Por isso, as frutas chegam do sul da Itália e, em geral, são de “qualidade não comercial”, ou seja, lotes que não iriam para prateleiras.

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Depois do combate, o cenário fica coberto de polpa e cascas. Ainda segundo a AP, o material é recolhido e enviado para compostagem, o que reforça o discurso de “evento sem desperdício”.

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Quando acontece e quanto tempo dura a batalha

A “Battle of the Oranges” acontece durante o Carnaval de Ivrea e costuma se concentrar em três dias de arremessos, sempre em áreas específicas da cidade. A festa é parte do calendário tradicional local e atrai turistas para ver (ou participar) do confronto.

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Para quem gosta de comparar tradições, vale lembrar que há cidades com formatos bem diferentes, como a que tem o carnaval mais longo do mundo, segundo a Gazeta.

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Como funciona (times, áreas, regras, segurança)

O combate é organizado por equipes. De um lado ficam os aranceri a pé, que representam o povo. Do outro, os participantes em carroças puxadas por cavalos simbolizam as forças do “tirano”, num teatro histórico que a cidade repete todos os anos.

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A dinâmica é simples de entender e difícil de encarar: as carroças entram nas praças e os times se posicionam. Quando o confronto começa, as laranjas voam em alta velocidade, e o chão vira um tapete escorregadio de polpa.

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Para o público, a regra mais importante é respeitar as áreas de batalha. Quem cruza o trajeto errado pode virar alvo involuntário. E, mesmo atrás de barreiras, respingos e impactos acontecem, por isso hematomas não são raros em dias cheios.

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Serviço: dá para assistir sem entrar na “guerra”?

Dá, e é o que muita gente faz. A cidade monta pontos de observação e áreas mais protegidas para quem quer ver de perto sem participar. A recomendação prática é manter distância das praças em que a batalha acontece e evitar atalhos no meio do fluxo.

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Um costume conhecido do evento é o chapéu vermelho (o “berretto frigio”). Em guias e relatos, ele aparece como um sinal de que a pessoa não está participando do combate e quer circular com mais segurança pela cidade, embora isso não seja garantia absoluta.

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Dicas para quem quer assistir (o que vestir e como evitar perrengue)

Vá preparado como quem assiste a um evento “molhado” e imprevisível. Roupas grossas, calçado fechado e uma camada impermeável ajudam, porque a polpa gruda e o chão fica escorregadio perto das áreas de batalha.

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Proteção para os olhos faz diferença, principalmente se você pretende ficar nas proximidades das praças. Se levar câmera ou celular, uma capa simples já evita que suco e bagaço entrem em botões, entradas e lentes.

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Para reduzir riscos, chegue cedo, escolha um ponto fixo e evite atravessar a praça durante o combate. Se o objetivo é só ver, priorize as áreas sinalizadas e não tente “passar correndo” por onde as carroças circulam.

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Serviço: como chegar a Ivrea e a distância de Roma

Ivrea fica no Piemonte, no norte da Itália, e é muito mais próxima de Turim do que de Roma. De carro, a distância entre Roma e Ivrea fica em torno de 650 km, com viagem na faixa de 6 a 7 horas, dependendo da rota e do trânsito.

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De trem, geralmente não há trajeto direto: é comum fazer conexões via Milão e seguir até Ivrea, com tempo total que pode variar conforme horários e trocas.

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Curiosidades rápidas em bullets

  • O evento concentra a “batalha” em praças específicas e em dias determinados do Carnaval.
  • As laranjas usadas costumam vir do sul da Itália e, em geral, são lotes fora do padrão de venda.
  • As ruas ficam cobertas de polpa; ao fim do dia, a limpeza vira parte do ritual.
  • Quem assiste de perto precisa aceitar respingos e possíveis impactos, por isso óculos de proteção ajudam.
  • A laranja é a estrela do evento e também rende curiosidades fora do Carnaval, como mostra a Gazeta ao falar sobre um erro comum no consumo da fruta.

Outros carnavais estranhos pelo mundo (box com 3 exemplos)

Montevidéu (Uruguai): a capital uruguaia abriga o carnaval mais longo do mundo, com semanas de apresentações e tradição forte de tambores.

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Carnavais com “brincadeiras de arremesso”: a ideia de jogar algo na rua durante a festa não é tão incomum na história. A Gazeta lembra que o entrudo, base do Carnaval no Brasil, já envolvia água, farinha e outros elementos.

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Tradições locais que viram atração: assim como Ivrea transformou um símbolo em espetáculo, há festas que ganham fama por costumes únicos e viram “parada obrigatória” em roteiros de curiosidades pelo mundo.

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Em Ivrea, o Carnaval não é sobre trio elétrico nem sobre desfile de escola de samba. É um teatro histórico que ganhou forma de batalha, com regras próprias, um símbolo de liberdade na cabeça e toneladas de laranja no ar.