Conhecida como células CAR-T, esta é uma nova forma de tratar alguns tipos de câncer. Utilizando reprogramação das células de defesa do corpo para criar um medicamento único, com o máximo de personalização.
Este tratamento traz benefícios para os pacientes ao tangibilizar novas possibilidades de tratamento e, até mesmo, um potencial de cura para doenças que, até então, eram sem opções terapêuticas.
O que são as células CAR-T?
A sigla “CAR” é um acrônimo em inglês para chimeric antigen receptor (em português, receptor quimérico de antígeno).
Já o “T” se refere ao linfócito T, um tipo de célula do sistema imunológico que reconhece os antígenos existentes na superfície celular de agentes externos ou internos infecciosos e de tumores e acaba produzindo anticorpos.
Ou seja, atua como defesa do corpo. Então, uma célula CAR-T é um linfócito T que passou por uma modificação genética.
Como é feito o tratamento?
A terapia por células CAR-T é feita a partir da coleta de células T do sistema imunológico.
Depois, é preciso levar o material a uma central especializada, todas até o momento estão fora do Brasil, para fazer ali a modificação genética e trazer de volta, para então infundir no paciente.
Essa modificação genética reprograma a célula para reconhecer e combater o tumor. Dessa forma, o próprio organismo do paciente torna-se um tratamento contra o câncer.
Por que esse tratamento é tão inovador?
O uso das células CART têm mostrado importantes resultados, representando uma nova perspectiva no tratamento de alguns tipos de câncer que, até então, não tinham opções eficazes de terapia.
É uma opção de tratamento transformadora com respostas potencialmente duradouras e até mesmo curativas.
Quais tipos de câncer podem ser tratado com esse tratamento?
As indicações são para pacientes com câncer no sangue, como por exemplo, linfoma e leucemia. A diferença entre o linfoma e a leucemia é que o linfoma surge no sistema linfático, que é uma rede de pequenos vasos sanguíneos, faz parte tanto do sistema circulatório, como do sistema imune.
Já a leucemia tem origem na medula óssea, que pode ser causada por uma célula sanguínea que ainda não atingiu a maturidade e acaba sofrendo uma mutação genética que a transforma em uma célula cancerosa.
Temos vários tipos de leucemia, como a leucemia linfoblástica aguda, a leucemia mieloide aguda e a leucemia linfocítica crônica. A única que pode ser tratada pelas células CAR-T é a leucemia linfoblástica aguda.
Logo, mais doenças como linfoma difuso de grandes células B, linfoma folicular e mieloma múltiplo podem utilizar dessa terapia.
Quais são os efeitos colaterais?
Dentro de sete dias após a infusão das células CAR-T, pode haver uma reação inflamatória, sinal de que os linfócitos modificados estão se reproduzindo dentro do organismo e induzindo a liberação de substâncias para eliminar o tumor.
Nesse momento, além de febre, pode haver queda importante da pressão arterial e eventual necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Nas primeiras semanas após infusão das células CAR-T, o paciente pode apresentar alguns sintomas neurológicos, que vão desde um quadro mais leve de confusão mental até a presença de crises convulsivas.
Porém, todos estes efeitos colaterais podem ser controlados quando o paciente faz seu tratamento em um centro especializado e com equipe treinada.
O caso de Paulo Peregrino
Em 2023, o caso do paciente Paulo Peregrino, de 62 anos, repercutiu nas redes sociais ao passar por um tratamento considerado revolucionário no combate ao câncer.
Ele foi levado em estado grave de Niterói (RJ) à capital paulista para tratamento com as próprias células de defesa modificadas em laboratório, o paciente vivia com morfina e mal conseguia caminhar.
Neste domingo (5), ele comemorou em suas redes sociais que continua com a remissão de 100% da doença, que é quando o câncer não é mais detectado por nenhum exame.
Segundo o paciente, um novo Pet Scan (tomografia feita com um contraste especial) foi feito no dia 22 de abril deste ano e o resultado saiu na última sexta-feira (3), data de aniversário do médico que o tratou.
*Texto sob supervisão de Suzana Rodrigues
